O ano começa a ganhar ritmo nos vinhedos da Serra Gaúcha, onde o silêncio das manhãs é quebrado pelo som das tesouras e pelo cuidado quase ritual da colheita. A vindima de 2026 ainda está em curso, mas, para muitos produtores, o sentimento é de confiança. O que se vê entre as fileiras de videiras aponta para uma safra equilibrada, com qualidade acima da média e expectativas alinhadas com os bons resultados recentes.
Na vinícola boutique Lidio Carraro, a colheita segue até março e, até agora, o ciclo agrícola tem sido marcado por regularidade. As brotações foram homogêneas, o desenvolvimento ocorreu no tempo certo e a sanidade das plantas chama a atenção de quem acompanha cada etapa do processo. “Foi um começo de ano como todo produtor espera ver”, resume Juliano Carraro, diretor comercial da vinícola.
O clima, elemento sempre imprevisível na viticultura, colaborou. Enquanto algumas regiões do Sul registraram episódios de granizo, os vinhedos da Lidio Carraro não foram atingidos. Um detalhe que faz diferença quando o foco está na qualidade da uva e na tranquilidade do planejamento. “Felizmente, esses eventos não passaram por nossas áreas”, explica Juliano.
Do ponto de vista técnico, a leitura também é positiva. O enólogo Giovanni Carraro destaca que a safra de 2026 teve um ritmo considerado ideal, sem extremos climáticos que comprometessem o ciclo da videira. “Não enfrentamos períodos prolongados de temperaturas abaixo da média. A maturação aconteceu de forma gradual, com boa velocidade”, observa.
Esse comportamento tende a se refletir diretamente no perfil dos vinhos. A expectativa é de bagas menores e plantas com menor vigor vegetativo, combinação que costuma resultar em maior concentração. “Devemos ter vinhos com alta intensidade aromática e boa concentração polifenólica”, projeta Giovanni.
Para as variedades mais tardias, colhidas ao longo de março, a cautela ainda é necessária. Mas o cenário segue favorável, com indicativos de uma safra acima da média, tanto em qualidade quanto, para algumas uvas, em produtividade.
Em anos assim, surge naturalmente a pergunta sobre a possibilidade de integrar a exclusiva linha Grande Vindima, reservada a colheitas excepcionais como 2012, 2013, 2018 e 2020. A resposta, por ora, é prudente. “Essa decisão só acontece no dia da colheita. São muitos fatores envolvidos”, pondera o enólogo.
Além dos números e da técnica, 2026 carrega um simbolismo especial. Ano de Copa do Mundo, remete a um capítulo importante da história da vinícola, que foi responsável pelos vinhos oficiais do Mundial de 2014. Entre a paixão pelo futebol e a paciência do vinhedo, a Lidio Carraro segue apostando na constância — porque, no vinho, o tempo continua sendo parte essencial da narrativa.
Tesouras em ação e expectativa no ar: a safra da uva 2026 começa com bons sinais no Sul do país. #Vitivinicultura #AgronegócioBrasileiro
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S
