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Quando a luz desacelera: designer brasileira cria luminária inspirada na chama da vela

Design, ciência e bem-estar em uma peça sensorial

Inspirada na ciência da luz e no gesto ancestral da vela, a luminária Cuore propõe desaceleração e conforto visual. #Linkezine 🕯️

No fim do dia, quando o corpo pede silêncio e o olhar busca abrigo, a luz faz mais do que iluminar: ela orienta o ritmo interno. É nesse território sensível, onde ciência e sensação se encontram, que nasce a luminária Cuore, criada pela designer brasileira Priscila Poli. Inspirada na chama da vela, a peça propõe uma pausa visual em meio à hiperestimulação cotidiana e transforma a iluminação em gesto de cuidado.

A ideia parte de um princípio bem documentado pela neurociência. Fontes luminosas quentes e de baixa intensidade sinalizam ao cérebro que o dia está terminando, estimulando a produção de melatonina — hormônio ligado ao sono e à sensação de bem-estar. Diferente das luzes frias e estáticas, a chama do fogo possui variações sutis que reduzem o estado de alerta e convidam ao repouso. A Cuore traduz esse comportamento natural em um objeto seguro, contemporâneo e funcional.

A luminária reproduz características essenciais da vela: tonalidade quente, temperatura de cor próxima a 1800 K e uma leve oscilação luminosa, que cria zonas suaves de sombra e claridade. O efeito não é decorativo por acaso. Ele ajuda o sistema nervoso a migrar de um estado de estímulo constante para uma percepção mais orgânica do espaço.

O projeto ganha profundidade na matéria-prima. A cúpula é produzida pela Cristais de Gramado, referência nacional em cristal artístico soprado, com técnicas de origem italiana. Cada peça nasce do encontro entre o conceito da designer e o saber artesanal, tornando impossível a repetição exata de formas. O resultado é uma luminária única, onde o gesto humano permanece visível no vidro.

Além disso, a aplicação de pó fotoluminescente no cristal permite que a cúpula emita um brilho suave mesmo após desligada. O recurso evita contrastes abruptos entre claro e escuro, prolongando a sensação de conforto visual. A base, em madeira maciça de tauari torneada à mão, reforça a conexão com materiais naturais e adiciona calor ao conjunto.

“Quis criar algo que mantivesse o aconchego da vela, mas com mais segurança e flexibilidade, inclusive para ambientes com crianças ou circulação de ar”, explica Priscila Poli. A observação de como a luz interfere no estado emocional foi o ponto de partida para um design que pensa menos em impacto e mais em permanência.

Entre livros, estantes ou mesas de cabeceira, a Cuore ocupa o espaço como luminária e como objeto sensorial. Mesmo apagada, permanece presente. Em tempos de excesso, ela propõe um gesto simples: acender a luz certa para desacelerar o mundo.

 

 

Uma luz que não acelera o dia. Ela prepara o descanso.  #DesignBrasileiro
#BemEstarVisual

 

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