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Relatório da ONU alerta para declínio de espécies migratórias no planeta

Quase metade das populações protegidas está em queda

Relatório da ONU aponta que quase metade das espécies migratórias protegidas está em declínio no mundo. Perda de habitat é a principal ameaça. #Linkezine 🌍

 

Todos os anos, bilhões de animais atravessam continentes, mares e rios em jornadas silenciosas que sustentam o equilíbrio da vida no planeta. São aves que cruzam hemisférios, mamíferos que seguem antigos corredores naturais e espécies marinhas que percorrem oceanos inteiros. No entanto, um novo relatório internacional aponta que esse espetáculo da natureza enfrenta uma ameaça crescente.

Dados divulgados pela Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), indicam que 49% das populações de espécies migratórias protegidas estão em declínio. O número representa um aumento de cinco pontos percentuais em apenas dois anos, reforçando o alerta sobre a pressão ambiental enfrentada por esses animais.

A atualização preliminar do relatório “Estado das Espécies Migratórias do Mundo 2024” também revela que 24% dessas espécies estão atualmente próximas da extinção, com as aves liderando a lista dos grupos mais afetados.

Segundo a CMS, os animais migratórios desempenham papéis essenciais nos ecossistemas globais. Eles participam da polinização de plantas, dispersão de nutrientes, controle de pragas e manutenção da biodiversidade, além de contribuir para atividades econômicas e culturais em diferentes regiões do mundo.

No entanto, a sobrevivência dessas espécies depende da integridade de rotas migratórias que muitas vezes atravessam diversos países e até continentes, tornando a proteção uma tarefa complexa que exige cooperação internacional.

Entre os principais fatores que ameaçam essas populações estão a degradação e fragmentação de habitats, causadas por expansão urbana, exploração de recursos naturais e infraestrutura como barragens e estradas. O relatório também aponta que 47% das áreas consideradas críticas para a conservação dessas espécies ainda não possuem proteção adequada.

A secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel, afirmou que os dados reforçam a urgência de medidas globais coordenadas. Segundo ela, embora algumas iniciativas de conservação tenham produzido resultados positivos, muitas espécies continuam enfrentando pressões crescentes ao longo de suas rotas migratórias.

No Brasil, o relatório cita o caso do boto amazônico tucuxi (Sotalia fluviatilis) como exemplo de espécie ameaçada. O mamífero enfrenta riscos como captura acidental em redes de pesca, caça deliberada e perda de conectividade em rios da bacia amazônica devido à construção de barragens.

Apesar do cenário preocupante, o documento também apresenta sinais de esperança. A situação das tartarugas marinhas, por exemplo, mostra avanços: a proporção de populações classificadas como de baixo risco subiu de 23% em 2011 para 40% em 2024. Outro exemplo positivo é o antílope saiga, que passou da categoria “ameaçado” para “quase ameaçado” graças a medidas de proteção no Cazaquistão.

As conclusões do relatório serão debatidas na COP15 da CMS, encontro internacional sobre conservação da vida selvagem que ocorrerá entre 23 e 29 de março em Campo Grande (MS). O evento deve reunir especialistas e representantes de diversos países para discutir estratégias de proteção dessas rotas que conectam o planeta.

No mapa invisível das migrações, cada trajeto conta uma história antiga da natureza. Preservá-los, agora, tornou-se um desafio urgente para o futuro da biodiversidade.

 

A natureza está em movimento — mas as espécies migratórias enfrentam riscos crescentes. Novo relatório da ONU revela que quase metade dessas populações está em declínio. #MeioAmbiente
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