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Cinco décadas depois, memória de Tenório Jr. ecoa em ato no Rio

Família recebe objetos do músico desaparecido

Ato no Rio relembra Tenório Jr. e devolve objetos à família após 50 anos. Memória e justiça em destaque. #Linkezine 🎹

Cinco décadas depois, memória de Tenório Jr. ecoa em ato no Rio

Família recebe objetos do músico desaparecido

O tempo, às vezes, não encerra histórias — apenas as suspende. Cinquenta anos após o desaparecimento do pianista Francisco Tenório Cerqueira Júnior, um gesto simbólico tenta recompor parte dessa ausência. Nesta quarta-feira (25), às 16h, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro será palco de um ato binacional que reúne familiares, autoridades brasileiras e argentinas e entidades ligadas à memória e aos direitos humanos.

Mais do que uma cerimônia, o encontro carrega um peso histórico. Durante o evento, objetos pessoais de Tenório Jr., que estavam com ele no momento de seu desaparecimento em Buenos Aires, serão entregues aos filhos e netos. Itens cotidianos que atravessaram décadas silenciosas e agora retornam como fragmentos de uma história interrompida.

Reconhecido como um dos grandes nomes do samba-jazz, Tenório Jr. ocupava um lugar de destaque na música brasileira dos anos 1970. Pianista refinado, colaborou com artistas como Milton Nascimento e Gal Costa, além de assinar o disco “Embalo”, considerado referência no gênero. Sua trajetória, no entanto, foi abruptamente interrompida em março de 1976, durante uma turnê ao lado de Vinícius de Moraes e Toquinho.

Na ocasião, em Buenos Aires, o músico saiu do hotel onde estava hospedado para comprar um lanche — um gesto simples que se transformaria em desaparecimento. Ele foi interceptado por agentes da repressão argentina, em um contexto marcado pela articulação entre regimes militares da América do Sul. O caso se tornou um dos símbolos da Operação Condor, rede de cooperação entre ditaduras que perseguiu, sequestrou e eliminou opositores políticos além das fronteiras nacionais.

A identificação de seus restos mortais, realizada décadas depois por equipes periciais, abriu caminho para que parte dessa história pudesse, ao menos, ser reconhecida oficialmente. Ainda assim, o que se constrói agora não é fechamento, mas continuidade: um esforço coletivo para preservar a memória e reafirmar a importância da verdade histórica.

Organizado pela Comissão de Mortos e Desaparecidos e pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro, o ato reúne também procuradores da República e representantes de instituições que atuam na defesa dos direitos humanos. A presença binacional reforça o caráter compartilhado dessa memória — que ultrapassa fronteiras e permanece atual.

Cinco décadas depois, o nome de Tenório Jr. não se restringe à música. Ele ecoa como lembrança e alerta. E, entre documentos, objetos e homenagens, sua história segue sendo contada — não apenas como passado, mas como compromisso com o presente.

 

Cinco décadas depois, a memória resiste e encontra caminho 🎶  #MemoriaHistorica
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