Entre cores e memória, Quim revela a precisão do improviso na arte
Exposição valoriza arte popular contemporânea
Entre cores e memória, Quim revela a precisão do improviso na arte
Exposição valoriza arte popular contemporânea
Há algo de silenciosamente potente nas obras de Joaquim Dimas Fidelis. Talvez seja o gesto livre, talvez a ausência de um esboço prévio — ou, quem sabe, a forma como tudo parece encontrar seu lugar sem aviso. Em cartaz no Parque do Palácio, em Belo Horizonte, a mostra “Quim: Inconsciente Preciso” convida o público a mergulhar nesse universo onde o improviso não é desordem, mas linguagem.
Ex-carroceiro e artista autodidata, Quim começou a pintar em 2017, guiado por um processo intuitivo que desafia convenções acadêmicas. Suas telas não nascem de planejamentos rigorosos, mas de um impulso criativo que se organiza no próprio ato de pintar. “Eu começo sem saber o que vai aparecer”, diz o artista. E é justamente aí que reside a singularidade de sua obra: imagens que emergem quase como lembranças, estruturadas em faixas de cor que sugerem paisagens — ora urbanas, ora rurais — sem se prender a um lugar específico.
Essa construção visual carrega marcas de uma trajetória que atravessa diferentes territórios. Da infância no interior de Minas Gerais à vida na capital, Quim acumula referências que se transformam em composições vibrantes, reconhecíveis e profundamente pessoais. Não se trata de retratar um cenário, mas de condensar experiências em formas e cores.
Para especialistas, o trabalho evidencia uma característica essencial da arte popular: a capacidade de organizar o espontâneo. O título da exposição não é casual. “Inconsciente Preciso” traduz um modo de criação em que a imaginação conduz, mas a execução revela equilíbrio. Há método no gesto livre, ainda que ele não siga regras formais.
Essa leitura é reforçada pelo crescente reconhecimento institucional de produções fora do circuito acadêmico. Nos últimos anos, políticas culturais e diretrizes educacionais têm ampliado o espaço para expressões populares, valorizando saberes construídos na prática e na vivência. Nesse contexto, a obra de Quim se insere como um exemplo contundente de como a arte pode emergir de trajetórias não convencionais e, ainda assim, dialogar com o contemporâneo.
A exposição, com curadoria atenta e sensível, não apenas apresenta um artista — ela propõe uma revisão de olhar. Ao deslocar o foco para fora dos centros tradicionais de formação, “Quim: Inconsciente Preciso” amplia o entendimento sobre o que é arte, quem a produz e de onde ela vem.
No fim da visita, fica a sensação de que cada tela guarda mais do que imagens. Guarda caminhos, memórias e um tipo raro de liberdade criativa — aquela que não pede licença, mas se afirma com precisão.
Quando o improviso vira linguagem: Quim transforma memória em cor 🎨✨ #ArteContemporanea #ArteBrasileira
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