CCBB Brasília amplia fronteiras com mostra inédita de Torres García
Exposição gratuita reúne mais de 70 artistas
CCBB Brasília amplia fronteiras com mostra inédita de Torres García
Exposição gratuita reúne mais de 70 artistas
Brasília se prepara para um mergulho raro na história da arte latino-americana. A partir de 31 de março, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) recebe a exposição Joaquín Torres García – 150 anos, uma mostra que não apenas revisita a trajetória do artista uruguaio, mas reposiciona sua obra no centro de um debate ainda pulsante: o lugar da América Latina no mapa global da arte.
Logo na entrada, o visitante percebe que não se trata de uma retrospectiva convencional. A curadoria de Saulo di Tarso propõe um percurso que atravessa tempos e territórios, colocando Torres García em diálogo com mais de 70 artistas — entre brasileiros e internacionais. O resultado é uma narrativa visual que conecta vanguardas europeias, matrizes africanas e culturas indo-americanas, dissolvendo fronteiras estéticas.
A exposição ganha densidade ao apresentar obras raramente vistas fora do Uruguai, como a emblemática América invertida. O trabalho, frequentemente associado a leituras geopolíticas, surge aqui com novas camadas de interpretação, convidando o público a repensar a ideia de centro e periferia cultural. É nesse ponto que o conceito de Universalismo Construtivo, formulado pelo artista, se revela atual: uma tentativa de articular o universal sem abrir mão da identidade latino-americana.
Ao longo das salas, o diálogo com a arte brasileira se intensifica. Nomes como Hélio Oiticica, Lygia Clark, Cildo Meireles e Rosana Paulino aparecem como ecos e contrapontos, ampliando o alcance da mostra. Há também uma evocação simbólica do incêndio do MAM Rio, em 1978, e suas marcas na memória cultural do país — um gesto que reforça o caráter crítico da curadoria.
Outro aspecto que atravessa a exposição é sua dimensão pedagógica. Torres García via na infância uma chave para a criação artística, valorizando o gesto simples, o símbolo essencial. Essa visão se materializa tanto em suas obras quanto em objetos educativos, aproximando arte e experiência cotidiana.
Em Brasília, o projeto ganha ainda uma camada especial ao dialogar com a arquitetura modernista da cidade e com obras da Coleção Banco do Brasil. A capital, com suas linhas e vazios, parece ecoar o pensamento construtivo do artista.
Ao final do percurso, fica a sensação de que Torres García não pertence apenas ao passado. Sua obra ressurge como um manifesto silencioso: o sul, mais do que geografia, é uma forma de ver — e reinventar — o mundo.
Um giro no mapa da arte — e o sul como ponto de partida. #ArteLatinoAmericana #ExposiçãoImperdível
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