CCBB Brasília abre mostra que conecta Torres García ao presente
Exposição propõe diálogo entre épocas e linguagens
Há exposições que organizam o passado; outras, que o reativam. Em cartaz até 21 de junho, no CCBB Brasília, a mostra “Joaquín Torres García – 150 anos” pertence claramente ao segundo grupo. Ao reunir obras do artista uruguaio em diálogo com produções contemporâneas, a exposição propõe mais do que uma retrospectiva: oferece uma travessia entre tempos, ideias e territórios.
Logo na entrada, o visitante percebe que não se trata apenas de contemplar. A curadoria de Saulo di Tarso constrói um percurso que convida à reflexão sobre identidade latino-americana, ancestralidade e pertencimento. Torres García, conhecido por sua linguagem construtiva e simbólica, surge como ponto de partida para uma conversa que se estende até o presente.
Entre os destaques, está a emblemática “América Invertida”, obra que raramente deixa o Museu Torres García. Mais do que um mapa invertido, o trabalho propõe uma inversão de perspectiva — uma provocação direta sobre como enxergamos o continente e suas narrativas. É nesse gesto que a exposição encontra sua força: questionar hierarquias e reposicionar olhares.
A mostra reúne ainda peças de importantes instituições internacionais, como o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, o Instituto de Arte Moderna de Valência e o MASP. Esse conjunto amplia o alcance da proposta, criando conexões que atravessam fronteiras geográficas e estéticas.
Para a museóloga Cynthia Taboada, responsável pela organização no Brasil, o objetivo é evidenciar a atualidade do pensamento de Torres García. E, de fato, ao longo do percurso, suas ideias se mostram surpreendentemente alinhadas com debates contemporâneos — especialmente aqueles que envolvem identidade cultural e produção coletiva.
Essa dimensão coletiva também é destacada pelo diretor do Museu Joaquín Torres García, Alejandro Díaz, ao lembrar que a obra do artista ultrapassa o individual e dialoga com a comunidade. É uma arte que se expande, que se projeta para além do próprio autor.
No contexto brasileiro, a exposição ganha camadas adicionais. Segundo a direção do CCBB Brasília, a mostra contribui para fortalecer o debate latino-americano, aproximando o público de uma produção que, embora histórica, permanece viva.
Gratuita e acessível, a exposição ocupa diferentes espaços do CCBB, incluindo a Galeria 5 e o Pavilhão de Vidro, criando uma experiência fluida e imersiva. Ao final do percurso, fica a sensação de que o tempo, ali, não é linear.
Porque, no encontro entre Torres García e o contemporâneo, o passado não termina — ele continua.
Quando o passado encontra o presente — e tudo faz sentido. 🎨✨ #ExposiçãoDeArte #ArteLatinoAmericana
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