Exposição no CCBB SP propõe integração cultural em tempos de divisão nas Américas
Mostra sobre Joaquín Torres García convida à escuta e ao reconhecimento da arte como união
Em um cenário global marcado por polarizações políticas, tensões identitárias e disputas de narrativas, a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP), propõe um deslocamento sensível do olhar. Longe de abordar conflitos de forma direta, a mostra aposta na arte como espaço de escuta, integração cultural e reconstrução simbólica entre os povos das Américas.
Com entrada gratuita, a exposição reúne cerca de 500 itens, entre obras, documentos, manuscritos, publicações, brinquedos de madeira e materiais pedagógicos. O conjunto apresenta ao público brasileiro a trajetória e o pensamento de Joaquín Torres García, um dos nomes mais decisivos da modernidade latino-americana. O eixo simbólico da mostra é o célebre Mapa Invertido (1943), imagem que atravessou gerações ao afirmar o Sul como ponto de partida para um pensamento universal.
A curadoria propõe a arte como prática ética e espiritual, capaz de reposicionar o olhar sem recorrer à lógica do confronto. O gesto de inverter o mapa não sugere dominação reversa, mas convida ao reconhecimento do Sul como origem possível de saberes, culturas e cosmologias. Para o curador Saulo di Tarso, em colaboração com o Museo Torres García, a exposição é também um exercício prático de decolonialidade, ao valorizar uma produção intelectual pensada a partir da América Latina, sem hierarquias impostas.
O conceito de Universalismo Construtivo, central na obra de Torres García, atravessa toda a exposição. Longe de propor uma uniformização cultural, a ideia reconhece símbolos, formas e geometrias universais presentes em diferentes povos, respeitando suas singularidades. O universal, nesse contexto, nasce da convivência entre diferenças, e não da imposição de um modelo único.
Esse pensamento dialoga diretamente com a produção brasileira. A mostra inclui obras de 72 artistas nacionais que foram influenciados ou dialogam com Torres García, como Alfredo Volpi, Anna Bella Geiger, Hélio Oiticica, Cildo Meireles e Rubens Gerchman. O encontro entre gerações e linguagens reforça a potência da integração cultural frente às divisões contemporâneas.
A expografia, assinada por Stella Tennenbaum, amplia essa reflexão ao transformar o espaço expositivo em percurso simbólico. Inspirada no Tratado de Tordesilhas, a linha que atravessa o CCBB não funciona como fronteira, mas como caminho, destacando que a cultura se constrói pelo encontro, pela circulação e pelo deslocamento.
Ao reafirmar a arte como território de união e escuta, a mostra de Joaquín Torres García convida a repensar a América a partir da pluralidade e da convivência. #Linkezine
Em tempos de polarização, a arte convida à escuta. A mostra de Joaquín Torres García no CCBB SP propõe integração e pertencimento. 🎨🌎 #ArteLatinoAmericana #CulturaEIdentidade
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


Deixe uma resposta