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América Invertida: Torres García ganha releitura histórica no CCBB

Mostra conecta 150 anos a debates atuais

CCBB SP apresenta mostra que celebra 150 anos de Torres García e atualiza o debate da América Invertida. Arte como reorientação de perspectiva. #Linkezine 🎨

 

Ao entrar no Centro Cultural Banco do Brasil, no coração de São Paulo, o visitante se depara com uma pergunta silenciosa: e se o mapa estivesse ao contrário? A imagem da “América Invertida”, de Joaquín Torres García, segue provocadora quase um século depois de criada — e é a partir dela que a exposição Joaquín Torres García – 150 anos propõe um debate contemporâneo sobre cultura, identidade e pertencimento.

Em cartaz até 9 de março de 2026 no CCBB SP, a mostra reúne um dos mais amplos conjuntos de obras do artista uruguaio já exibidos, em diálogo com trabalhos de mais de 70 nomes modernos e contemporâneos. A proposta vai além da celebração: amplia o percurso histórico de Torres García e reposiciona sua influência no contexto da arte latino-americana e global do século XX.

Sob curadoria de Saulo di Tarso, a exposição articula o pensamento do Universalismo Construtivo — a ideia de formas universais que expressem identidades locais — com produções brasileiras, arte indo-americana, cultura africana e vanguardas europeias. A narrativa também revisita episódios históricos, como o incêndio do MAM Rio em 1978, e propõe reflexão sobre a herança simbólica do Tratado de Tordesilhas nas relações culturais sul-americanas.

A presença brasileira é marcante: mais de 40 artistas integram o percurso, entre eles Bispo do Rosário, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Rosana Paulino, Alfredo Volpi, Mira Schendel e Lina Bo Bardi. As conexões são diretas ou conceituais, criando encontros que atravessam tempo e espaço. Em uma das salas finais, o diálogo entre Torres García e Rosana Paulino sintetiza essa ponte entre passado e presente.

A mostra também apresenta centenas de escritos e trabalhos gráficos inéditos no Brasil, muitos exibidos pela primeira vez fora de Montevidéu. No núcleo internacional, nomes como Carmelo Arden Quin, Gyula Kosice e documentos ligados a Mondrian ampliam a leitura de um artista que antecipou debates centrais da arte concreta e defendeu um horizonte verdadeiramente global, sem hierarquias culturais.

Gratuita, a exposição reafirma a atualidade de Torres García ao deslocar o eixo tradicional da história da arte. Seu gesto de inverter o mapa segue simbólico: não se trata apenas de geografia, mas de perspectiva. Ao propor que “o nosso norte é o Sul”, o artista uruguaio deixa de ser apenas referência histórica para se tornar interlocutor urgente de um continente que ainda busca narrar a si mesmo.

 

E se o mapa estivesse ao contrário? No CCBB, a América Invertida provoca novos olhares sobre identidade e arte.   #ArteLatinoAmericana   #ExposiçãoCCBB

 

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