China entre carvão e sol: a encruzilhada energética
País acelera renováveis, mas ainda depende do carvão
China entre carvão e sol: a encruzilhada energética
País acelera renováveis, mas ainda depende do carvão
A paisagem energética da China é marcada por contrastes. De um lado, desertos e montanhas cobertos por painéis solares e turbinas eólicas que transformaram o país na maior potência mundial em energia limpa. De outro, minas de carvão que seguem alimentando usinas e mantendo a China como o maior emissor de dióxido de carbono do planeta.
Em 2025, o país adicionou quase 450 gigawatts de capacidade renovável — mais do que o resto do mundo combinado. Com isso, atingiu cinco anos antes da meta de 1.200 GW de energia solar e eólica prevista para 2030. Hoje, um quarto da eletricidade chinesa já vem dessas fontes. Pequim também domina a indústria global de painéis fotovoltaicos, produzindo mais de 80% do total mundial.
Mas o carvão continua sendo o combustível da autonomia energética. Entre janeiro e fevereiro de 2026, foram adicionados 20 GW de capacidade a carvão, quase metade do volume de novas renováveis no mesmo período. O país consome mais de 50% do carvão global, em parte porque não precisa importar esse recurso.
O novo plano quinquenal, que moldará a economia até 2031, reflete essa ambiguidade. Embora o presidente Xi Jinping tenha prometido reduzir o uso de carvão, o documento não traz metas explícitas de corte. Analistas como Qi Qin, do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, apontam a influência do lobby do carvão como fator decisivo para a linguagem conservadora.
Ainda assim, há sinais de mudança. As emissões de CO2 caíram 0,3% em 2025, com reduções em setores como transporte e energia. A produção solar cresceu 43% em um ano, e especialistas como Tim Buckley acreditam que o pico das emissões já pode ter sido atingido.
O desafio é equilibrar segurança energética e compromissos climáticos. A China quer ser potência energética, mas precisa decidir se o futuro será guiado pelo carvão ou pelo sol. A resposta moldará não apenas sua economia, mas também o ritmo da transição global para energias limpas.
Entre minas e turbinas: a China decide se o futuro será movido a carvão ou energia limpa. #TransicaoEnergetica #ClimaGlobal
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