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Povos afrodescendentes reivindicam nova arquitetura climática global

Financiamento direto e reparação histórica no centro da pauta

Povos afrodescendentes defendem protagonismo e justiça racial na ação climática global. #Linkezine 🌍

Povos afrodescendentes reivindicam nova arquitetura climática global

 Financiamento direto e reparação histórica no centro da pauta

Na cena internacional das negociações climáticas, uma nova narrativa começa a ganhar corpo. Após a COP30, realizada em Belém, organizações afrodescendentes da América Latina e Caribe apresentaram uma proposta ousada: uma arquitetura climática baseada em reparação histórica, justiça racial e acesso direto ao financiamento internacional.

A estratégia foi consolidada pela CITAFRO, coalizão que reúne comunidades negras da região, e apresentada no documento “Estratégia de Financiamento Climático sob a Perspectiva Afrodescendente”. O texto defende a criação do Mecanismo Afrodescendente de Financiamento Direto (MAFD), pensado para canalizar recursos de forma simplificada e permanente às comunidades afrodescendentes e quilombolas.

O pano de fundo é contundente: cerca de 153,7 milhões de afrodescendentes vivem na América Latina e Caribe, ocupando mais de 205 milhões de hectares de territórios estratégicos para a biodiversidade global. Florestas, manguezais, áreas úmidas e zonas agrícolas estão sob sua guarda, mas apenas 5% dessas terras possuem titulação coletiva formalizada. Sem segurança jurídica, as comunidades enfrentam desmatamento, mineração, exploração petrolífera e os impactos extremos da crise climática.

A proposta denuncia que não há justiça climática sem justiça racial. Comunidades negras são historicamente responsáveis pela preservação de ecossistemas, mas seguem entre as mais afetadas por enchentes, secas prolongadas e insegurança alimentar. O documento critica a burocracia dos atuais mecanismos multilaterais, que concentram recursos em grandes instituições e dificultam o acesso direto das comunidades.

Entre as metas até 2030, estão a implementação de 200 projetos climáticos em territórios afrodescendentes, fortalecimento de 100 organizações negras, proteção ou titulação de 150 mil hectares e alcance direto de 300 mil beneficiários. A proposta também prevê paridade de gênero e participação significativa das juventudes negras na governança climática.

Mais que financiamento, trata-se de reconhecimento. O MAFD busca legitimar saberes ancestrais e modos de vida tradicionais como parte das soluções globais de mitigação e adaptação. Titulação coletiva, transição energética justa e fortalecimento da sociobioeconomia aparecem como pilares de uma estratégia que coloca os povos afrodescendentes não apenas como beneficiários, mas como protagonistas da ação climática.

O inverno político e ambiental que atravessamos exige novas arquiteturas. E, nesta crônica que se desenha, os povos afrodescendentes reivindicam não apenas recursos, mas o direito de escrever o futuro climático do continente.

 

Do território à governança: povos afrodescendentes exigem financiamento direto e protagonismo na luta climática. #JusticaClimatica #AfrodescendentesProtagonistas

 

 

 

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