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Terreno, condomínio de R$ 58 milhões e ligação com a família do prefeito entram no radar em São Gonçalo

Negócio envolve empresa ligada à mulher de candidato e construtora

Uma negociação imobiliária em São Gonçalo reúne empresa ligada à mulher de um candidato, construtora e um condomínio estimado em R$ 58 milhões. 🔎 #Linkezine

 

Terreno, condomínio de R$ 58 milhões e ligação com a família do prefeito entram no radar em São Gonçalo

Negócio envolve empresa ligada à mulher de candidato e construtora

Uma área de mais de 20 mil metros quadrados, um empreendimento estimado em R$ 58 milhões e uma cadeia de empresas que reúne nomes próximos ao poder municipal colocam uma negociação imobiliária em evidência em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Segundo as informações apresentadas pela coluna Tácio Lorran, a Mical Invest, empresa da maquiadora Mariana Barbosa, mulher de Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, comprou em janeiro deste ano três terrenos que, juntos, somavam 20.628 metros quadrados. O valor pago pela área foi de aproximadamente R$ 750 mil.

A intenção era transformar os lotes em um condomínio residencial dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. Depois da aquisição, os terrenos foram unificados e a empresa deu entrada, em março, no processo de licenciamento junto à Prefeitura de São Gonçalo.

O projeto chama atenção também pelo impacto ambiental previsto. A documentação apresentada para o empreendimento indicava a necessidade de derrubada de 659 árvores. O pedido, ainda segundo as informações divulgadas, recebeu aprovação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente em maio.

O detalhe que amplia a atenção sobre o negócio é a relação familiar com a administração municipal: Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, é pai de Douglas Ruas.

Uma operação com várias empresas

A história ganhou outro capítulo em junho. No dia 12, Mariana Barbosa vendeu o terreno consolidado por R$ 235 mil para a SG01 Incorporação Imobiliária SPE, empresa criada em março de 2026.

A SG01 tem como sócias a Mical Invest e a Construtora Up Inc. A estrutura de Sociedade de Propósito Específico (SPE) é utilizada no mercado imobiliário para concentrar a execução de determinado empreendimento.

O condomínio previsto para a área recebeu o nome de Águas da Mata e será desenvolvido em parceria com a Up Inc., construtora que também participa de outros dois projetos do Minha Casa, Minha Vida em São Gonçalo: Águas do Bosque e Águas de Lisboa.

A movimentação financeira, entretanto, apresenta uma diferença que chama atenção. O terreno foi comprado pela Mical por R$ 750 mil e posteriormente vendido para a SPE por R$ 235 mil.

Em nota à coluna Tácio Lorran, a Mical Invest afirmou que atua no projeto apenas como “permutante” e que a Up Inc. será responsável pelos custos da construção. A empresa também informou que receberá uma parcela dos recursos obtidos pela construtora com a venda dos imóveis, embora as porcentagens dessa participação não tenham sido divulgadas.

O que ainda precisa ser esclarecido

A sequência de compra, licenciamento, criação da SPE e transferência do terreno não comprova, por si só, qualquer irregularidade. Mas coloca uma série de informações sob a lupa: os valores envolvidos, a estrutura societária, a participação de cada empresa, o processo de licenciamento ambiental e a relação entre os envolvidos no negócio.

Também chama atenção o fato de o projeto depender de uma área que teve autorização para a retirada de centenas de árvores e estar inserido em um município administrado pelo pai do marido da empresária que participou da negociação.

No mercado imobiliário, estruturas com SPEs, permutas e participação de diferentes empresas podem ser mecanismos usuais para viabilizar empreendimentos. O ponto central, neste caso, é compreender com transparência quem investiu, quem receberá, quem construirá e quais foram os critérios utilizados pelo poder público para aprovar o projeto.

Enquanto o Águas da Mata avança em sua estruturação, esses detalhes permanecem no centro da atenção. E, quando negócios imobiliários envolvem dinheiro público, programas habitacionais e pessoas ligadas ao ambiente político, cada etapa da operação passa a merecer ainda mais transparência.

 

 

Uma área de 20 mil m², um condomínio de R$ 58 milhões e uma rede de empresas que chega ao entorno do poder municipal. 🔎 Entenda os pontos que colocaram o negócio sob atenção. #Investigacao #TransparenciaPublica

 

 

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