A Vida Secreta de Walter Mitty

 

Muitas vezes as pessoas se sentem desnorteadas em um mundo cada vez mais focado em resultados e atingimento de metas. Num cenário no qual o coletivo sufoca o indivíduo, esmagado em sua insignificância, muitos têm a sensação de que fazem parte de uma gigantesca linha de produção. Pasteurizadas, as pessoas deixam de viver e passam a empilhar dias. Em determinado momento, inevitavelmente, ocorre a implosão existencial, que derruba, sacode, faz o indivíduo levantar e seguir em frente. Este é o fio condutor do filme “A Vida Secreta de Walter Mitty”, dirigido e estrelado por Ben Stiller.

Sonhador, Mitty é esmagado pela insignificância de uma vida pacata. Logo no início do filme, ele se depara com suas limitações e anseios quando não consegue concluir uma mera “piscadinha virtual” para uma colega de trabalho em que está interessado. Incomodado, ele liga para os responsáveis pelo site que explicam que ele precisa completar o preenchimento do perfil. É neste momento que todas as frustrações vêm à tona para o espectador: Mitty não tem nenhuma viagem marcante, nenhuma experiência inesquecível… Nada do que possa se orgulhar! Para completar essa dura realidade, a empresa para qual trabalha, a revista Life, é vendida e a transição é marcada por uma onda de demissões que assusta a todos. A chance de salvar o emprego (e quem sabe a revista) é revelar o negativo 25, enviado por um famoso fotógrafo (vivido por Sean Penn) em um filme com 26 imagens. Detalhe: o tão desejado negativo está perdido.

Apaixonado, ele tenta de todas as formas impressionar a colega Cheryl (Kristen Wiig) na qual está interessado (a mesma para quem iria enviar uma “piscadinha virtual”). Em meio às fantasias que cria, Mitty entra em transe, o que faz ser visto com certa estranheza pelos demais. Ele, enfim, se aproxima de Cheryl, de quem recebe ajuda para partir em busca do negativo perdido. Eis que a transformação começa a ocorrer e sua vida cinza e opaca se transforma numa bela mistura de cores marcantes. Reunindo toda a coragem que estava adormecida, Mitty parte para uma série de experiências que mudará sua forma de encarar o mundo.

É nesse ponto que o filme “cumpre o seu papel” de entreter e sensibilizar o público. Apesar de o mundo estar cada vez mais pasteurizado, sufocando personalidades em prol da coletividade, cada um ainda é dono de si e pode escolher o caminho a trilhar. Foi essa a opção de Mitty e, de certa forma, é a que todos buscam: dar sentido à própria vida!

Sobre Antonio Munró Filho (15 artigos)
Formado em Jornalismo e Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Grande do Sul (PUCRS), tem larga experiência na área de comunicação. Entre 2001 e 2012 trabalhou na Zero Hora e O Sul, dois dos principais jornais do Rio Grande do Sul. Em 2012, deixou Porto Alegre para viver novos desafios no Rio de Janeiro, ao assumir a assessoria de comunicação de uma seguradora de atuação nacional. Cativado pelo universo corporativo, especializa-se na área de Marketing Digital pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Apaixonado por Literatura, mantém o blog cultural Alegria de Ser o que É (www.alegriadeseroquee.wordpress.com.br), no qual escreve sobre livros, filmes e música.

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