Mais amor, menos ódio

 

 

Amar em tempos de ódio é revolucionário. As grandes revoluções, aquelas que realmente mudaram o mundo foram movidas a amor. Não ao ódio. Abraçaram as diferenças. Não dividiram o mundo em dois: nós e eles.

Estamos cercados por muros por todos os lados. Crianças chorando. Homens e mulheres feridos. Policiais caídos. Violência, sofrimento e morte espalhados além de fronteiras e bairros.

Quando não aguentamos mais e fugimos da realidade para o mundo virtual, somos seguidos pelos haters e verborragia agressiva e sem rosto. Aonde está o amor? E ainda nos surpreendemos quando aparece uma atrocidade nos jornais como o estupro coletivo ou o policial pego com uma menina de dois anos. Aonde está o amor?

O ódio é covarde. Se esconde na multidão. Invade e oprime. Expulsa. O amor fala para o todo. Aceita o estranhamento que vem do diferente e abraça as diferenças. Alarga horizontes e alcança o outro através dos pontos em comuns.  Somos todos humanos. Todos respiramos e vivemos no mesmo planeta. Todos fomos gerados, crescemos e vamos morrer um dia. Ao longo desse percurso cada um faz suas escolhas e arca com as respectivas consequências. Amor gera amor. Menos mortes desnecessárias. Menos guerras. Menos refugiados e exilados. O amor expande. O ódio reduz. Reduz nossos pensamentos. Reduz nossos círculos de amizades. Reduz a raça humana a pó.

Por um mundo com mais amor e menos ódio. Menos ódio nas redes sociais. Menos linchamentos públicos por uma simples diferença de opinião. Por mais amor a tudo que nos causa estranhamento. Que a gente possa antes de falar, antes de dar um olhar recriminador nos reconhecer  no outro como ser humano. Só isso. Um ser humano olhando para outro ser humano. Com todas as nossas falhas, nossas escolhas, nossos acertos e fraquezas.

Cada vez mais me convenço que amar em tempos de cólera é revolucionário e o único caminho viável. Hoje estamos cercados daquilo que nos é estranho. Estranho aqui no sentido do que é diferente da gente – opções de vidas, opções políticas. Me vejo constantemente confrontada em como viver na prática a expansão do amor, sem abrir mão daquilo que acredito. Defender minhas opiniões e crenças – e tentar convencer outros a concordar comigo – sem invadir o outro ou ser invadida. Mas conviver no grande latifúndio do amor onde cabe todas as opiniões juntas – misturadas ou paralelas. Difícil encontrar esse equilíbrio. Olho para as redes sociais e notícias e só vejo crescer os muros que nos separam. Uma voz aqui e outra ali pregando mais amor. Nos convidando a refletir sobre nossa condição de humanos, antes das rixas entre todas as camadas de identidades que se sobrepõe. Lembretes de que juntos podemos mais. Pelo amor somos mais fortes.

Fica aqui um apelo por um mundo com mais amor e menos ódio. Um apelo para que esse mundo comece hoje por cada um de nós. Que a gente não se junte aqueles que levantam muros. Que são donos da verdade e da moral. Mas que a gente comece uma revolução hoje de amor. Amor pelo diferente. Amor que expande e encontra similaridades. Amor que nos transborda. Amor que clama responsabilidade e auto-conhecimento antes de julgar o outro.

Viva  revolução! Viva o AMOR!

 

P.S. Essa música do Black Eye Pea em parceria com outros artistas – Where is the love tem tudo a ver com o nosso momento atual. Vale muito a pena assistir o video!

https://www.youtube.com/watch?v=NIIKf8dVp5w

Sobre Anna Gabriela Malta (17 artigos)
Anna Gabriela Malta é fotógrafa documentarista e gestora da instituição sem fins lucrativos Sociedade Providência, dedicada a educação de crianças de baixa renda na Zona Sul do RJ. Acredita no trabalho de formiguinha para transformar o mundo através da educação e do envolvimento de cada um na sociedade. agmalta@gmail.com

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