Black Mirror: o futuro que tememos e o presente que não enxergamos

 

Já tinha ouvido falar da famosa série que intitula o texto há uns meses, sem prestar atenção no tema ou despertar qualquer interesse que me pudesse fazer assistir. Porém, nas últimas semanas (tal qual aconteceu com Stranger Things), uma chuva de comentários relacionando Black Mirror à nossa realidade, somados as várias notícias sobre as proporções atingidas por mais esse sucesso produzido pela NETFLIX, fizeram com que eu antecipasse os planos de me viciar em mais uma série.

Black Mirror se passa num futuro não muito distante, onde a tecnologia não será apenas parte das nossas vidas, mas algo que vai mudar o comportamento humano para muito além do que a maioria dos mortais poderia supor. Sempre fui um crítico de como temos substituído o contato pessoal pela tela de um celular e de como algo que poderia ser benéfico está destruindo a comunicação mais básica e essencial para os humanos, mas o que assisti em alguns capítulos me deixou ainda mais assustado.

 

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Charlie Brooker, seu criador, mostra uma sociedade ainda mais doente, dominada pelas facilidades tecnológicas que levarão a uma superficialidade sem igual, influenciando a socialização e vários aspectos positivos que demoramos toda a nossa existência para aperfeiçoar, incluindo a nossa capacidade de compaixão pelo próximo. Em cada episódio, novas tecnologias são mostradas, assim como suas influências em nossos comportamentos e uma dependência cada vez maior delas. Perturbador é pouco.

No primeiro, um político é influenciado pela opinião pública através da interação ainda maior entre as redes sociais e as emissoras de TV, e tem algumas horas para tomar uma decisão bizarra que pode salvar a vida de uma princesa; em outro, as pessoas vivem através de um avatar individual, mal conseguem se comunicar pessoalmente e estão altamente viciadas em assistir programas de TV que são mostrados através do gosto pessoal de cada uma (alguma semelhança com o algoritmo do Facebook?). No terceiro, a vida de um casal é influenciada por memórias que eles podem assistir através dos próprios olhos e compartilhar através de qualquer tela quando quiser. Todos possuem um chip implantado na cabeça como se fosse um HD de computador que permite isso. E essa facilidade se torna doentia quando eles passam a usar essas lembranças para discutir o relacionamento e cobrar um ao outro, pedindo que mostre a própria memória de fatos passados.

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Ainda não assisti a série inteira, mas o fato de Black Mirror estar mexendo conosco desta forma e fazendo pensar sobre a nossa existência e o papel de cada um já serve de alento, apesar de assustar. Mesmo futurista e ficcional, essa obra é tão real que deveria ser vista por todos, pois pode ser que ainda dê tempo de nos salvarmos das doenças que nós mesmos criamos, ou então nos olharemos somente através de um espelho negro, incapaz de mostrar nossos reflexos defeituosos.

Sobre Victor Hugo (18 artigos)
Victor Hugo Ximenes Descrição: Jornalista formado pela Universidade Candido Mendes, atua na área de produção de conteúdo e assessoria de comunicação para políticos e instituições. Atualmente cursa pós graduação em marketing digital na FGV. Apaixonado por música, aviação e fotografia, adora registrar rostos, paisagens e esporadicamente trabalha em eventos. Apesar do apreço pela tecnologia também é um crítico de como ela influencia no comportamento humano e se torna um vício que afasta as pessoas umas das outras e de si mesmas.

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