Entrevista com Carlinhos de Jesus

Foto: Arquivo Pessoal

Não se pode falar em Carnaval sem se lembrar de Carlinhos de Jesus. Grande nome do carnaval carioca, a cada ano ele se renova para criar uma nova coreografia da sua Comissão de frente. Em cada Escola de Samba que já passou, deixou sua marca e seu profissionalismo. Hoje, à frente da Escola União da Ilha, vem novamente com a promessa de deixar a Sapucaí maravilhada com sua Comissão de frente. Nessa entrevista com o Linkezine, ele fala um pouco dos Carnavais passados e do que virá.  

                                                                                                           Por Josué Júnior

 

Entrevista com Carlinhos de Jesus

Carlinhos, todo Carnaval você começa uma maratona de ensaios e muitos compromissos. Você já faz isso há muito tempo, e sua disciplina já é conhecida. O seu sucesso é a sua disciplina mais o seu talento?

Carlinhos de Jesus: Sem dúvida é preciso muita disciplina para se alcançar nossos objetivos. Claro que conto com uma equipe, que me acompanha a muitos anos e entende as minhas idéias e “pirações”.

 

Você ficou onze anos à frente da Comissão de frente da Mangueira, onde teve muitas alegrias. Você sente falta, ou saudades dos carnavais de onze anos atrás?

Carlinhos de Jesus: Sim,  os desafios eram maiores, os quesitos mais rígidos, exigiam muita criatividade, o trabalho era desafiador, gosto disto.

 

Ainda lembrando essa época da Mangueira, você fez a Apoteose se emocionar quando a Mangueira apresentou Chico da Mangueira, e você coreografou os Malandros da Ópera do Malandro. Posso dizer que esse momento está entre um dos mais importantes seu dentro do Carnaval? Lembre um pouco esse momento.

Carlinhos de Jesus: Este enredo foi o meu debut na Mangueira. Quando fui convidado pelo presidente da Mangueira: Elmo José dos Santos, o carnavalesco Alexandre Louzada já tinha uma idéia para a comissão de frente, conversamos , dei a minha idéia que foi aceita na hora. Na época foi uma modernidade. Então marcou muito.  Até hoje as pessoas comentam a “ousadia”. Realmente é um dos momentos muito importantes do meu trabalho no Carnaval.

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Foto : Arquivo Pessoal

Todo ano o Verão  carioca fica lotado de turistas querendo ver o Carnaval. Para você o que falta para que o Carnaval seja uma festa ainda mais completa?

Carlinhos de Jesus: O carnaval tem cor, alegria, música e dança, só falta SEGURANÇA. O próprio  carioca fica inseguro com a violência nas ruas, praias etc…

 

Você tem um bloco de carnaval que é o 2 pra Lá, 2 pra Cá, que existe muito antes dessa febre de blocos pela cidade do Rio. Qual foi a sua ideia para criá-lo, e o que você acha de todo ano surgir de 10 a 20 blocos novos na cidade do Rio de Janeiro? A cidade tem espaço para tantos blocos?

Carlinhos de Jesus: O Bloco 2 Pra Lá 2 Pra Cá surgiu da idéia da dança no carnaval,  os clubes de danças de salão, gafieiras, fecham no carnaval,  então resolvemos levar para a rua um bloco de gafieira,(risos) e deu super certo. Este ano comemoramos 26 anos de Bloco. Numa cidade musical, boêmia  e turística, como o Rio de Janeiro, é natural  que no período de carnaval surjam blocos alegrando os bairros. Temos espaços para eles, mas é necessário que a administração pública controle para  que não tragam prejuízos à cidade.

 

Carnaval ainda te encanta? E qual é o momento dele que vem aquele frio na barriga?

Carlinhos de Jesus: SIM , me encanta. Frio na barriga sempre que estou à frente  da Comissão de Frente,  quando o portão é aberto e somos os primeiros a entrar na Avenida.

 

Quando um samba ganha, e você tem que começar a desenhar a coreografia. É difícil sair do papel para a execução da coreografia?

Carlinhos de Jesus: O Samba é fundamental, mas a Coreografia vem de varias fontes :  o meu processo de criação é muito louco, vasto, não só me inspiro na sinopse mas também em informações externas.  A coreografia é um somatório de imagens, da sinopse e do samba.

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Foto : Arquivo Pessoal

Você assina esse ano de 2017 a coreografia da União da Ilha, e sei que é segredo falar sobre. Mas o que podemos esperar?

Carlinhos de Jesus: Após muita discussão com a Escola e com o Carnavalesco, consegui convencê-los a trazer uma comissão simples e rústica. Não podia deixar em um tema Africano, berço da nossa cultura musical e coreográfica, de trazermos muita dança. Coreograficamente trazemos tradições e referências culturais de Angola e da etnia Banto: misturamos  SEMBA, SAMBA  e  KUDURO.

 

 

 

 

 

Sobre Josué Júnior (151 artigos)
Josué Júnior, carioca, fotógrafo profissional pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Há mais de dez anos no mercado fotográfico com ênfase em moda e publicidade. Atualmente fotografa para o site Versão Masculina, especializado em comércio de produtos masculinos. Em sua empresa Arte foto Designer, desenvolve seu trabalho autoral, que pode ser apreciado na sua pagina : www.facebook.com/fotosjosuejunior?ref=bookmarks ,ou em seu Instagran .https://www.instagram.com/josuelbjr/

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