Quanto tempo o tempo tem?

 

Muitas vezes temos a sensação de que o tempo passa cada vez mais rápido. De que um período grande transcorresse como num piscar de olhos e nos levando a questionar se os dias, meses e anos estariam diminuindo, ou os ponteiros do relógio andando mais depressa. Quantas vezes afirmamos “como esse ano passou rápido” nos fins de ano? Será que nossas vidas estão se esvaindo como um punhado de areia entre os dedos?

Para respondermos essas perguntas que parecem tão complexas, não é necessário apelarmos para o Doutor e inventor Emmett Brown, dos filmes “De volta para o futuro”, e nem mesmo para o físico Stephen Hawking. É claro que eles poderiam ajudar bastante, mas um olhar sensível para nós mesmos pode explicar muita coisa sobre como influenciamos o tempo.

A forma como vivemos influencia diretamente a percepção dos números que controlam nossa rotina diária. Ao deixar meu smartphone de lado durante o fim de semana, percebi o quão prazeroso pode ser passar um dia ou dois sem preocupação com as horas, tal como na época dos meus avós, quando as tecnologias digitais eram apenas um sonho distante ou coisa de maluco e a vida passava devagar, com apenas alguns olhares consultando o relógio para não esquecer de compromissos importantes. O contato com a natureza, os relacionamentos interpessoais mais intensos e a forma de apreciar o mundo tornavam as coisas menos tensas e menos propícia a decisões intempestivas. Tudo era melhor aproveitado.

2-novotempo

Foto: Divulgação

Atualmente, mesmo se o dia tivesse 36 horas, ao invés de 24, teríamos dificuldade de encaixar nossas vidas nesse período e continuaríamos tendo a sensação de que o tempo está voando. Perdemos tanto tempo checando e-mails, o Facebook, Instagram, fazendo comentários fúteis sobre a vida dos outros e sobre coisa alguma, que quando nos damos conta, deixamos passar momentos importantes que poderiam ser aproveitados de outra forma. Tornamos-nos prisioneiros de nossas próprias invenções tecnológicas; da modernidade que vicia e alimenta o narcisismo; da dependência pela tecnologia que cega e nos afasta de nós mesmos com doenças que jamais imaginamos que poderiam existir.

4-tempo-838x559

Foto: Divulgação

O tempo é precioso e a velocidade com que ele passa é a mesma de sempre, tudo depende da forma como vivemos. Quem está sempre reclamando que ele voa e não consegue fazer nada, deveria parar e pensar se vale a pena desperdiçá-lo fazendo tantas coisas, muitas sem importância, ou sendo um mero observador de tudo e esquecendo-se de si mesmo para tomar conta da vida dos outros. Quanto tempo o tempo tem? Quanto tempo nós temos? Temos todo o tempo do mundo ou tempo para mais nada? Pode ser que ainda dê tempo…

 

Anúncios
Sobre Victor Hugo (18 artigos)
Victor Hugo Ximenes Descrição: Jornalista formado pela Universidade Candido Mendes, atua na área de produção de conteúdo e assessoria de comunicação para políticos e instituições. Atualmente cursa pós graduação em marketing digital na FGV. Apaixonado por música, aviação e fotografia, adora registrar rostos, paisagens e esporadicamente trabalha em eventos. Apesar do apreço pela tecnologia também é um crítico de como ela influencia no comportamento humano e se torna um vício que afasta as pessoas umas das outras e de si mesmas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: