Quem quer pão, quem quer pão, quem quer pão?

Hummm… cheiro de pão quentinho, tem coisa melhor?!?! E quando ele está crocante por fora e macio por dentro??? E a manteiga derrete… Tá bom, já parei, essa “maldade” toda é só pra lembrar que se você não passa por esta cena todos os dias pela manhã, em algum momento da sua vida já passou, e te garanto que você foi muito feliz!!!

Pois é, mas esta cena de felicidade está cada vez mais ameaçada pelas “fantásticas fábricas” que usam misturas prontas para pães, onde a pessoa precisa apenas misturar água e colocar na batedeira e “voilá”, está pronto o pão, que se torna cada vez mais massudo, sem gosto de nada além de farinha ruim, e deixando a sensação de “bate e entope” que todos odeiam.

Triste, mas verdadeiro. Hoje em dia o pão “francês” que conhecemos nada mais é do que isso, aliás, não só ele, como o brioche, o careca, o de cachorro quente… às vezes é a mesma massa, só muda o formato.

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Mas se acalmem, não vim aqui acabar com a vida e a esperança de ninguém de comer um pão gostoso e verdadeiro. Ainda há boas padarias por aí que fazem pães da maneira tradicional, com farinha, água e fermento como base, e resgatam as técnicas milenares de fermentação trazendo ao público um pão com um sabor inigualável e texturas incríveis como vocês nunca viram.

Pra começar a falar dessas padarias vou citar a que de fato me inspirou a escrever esta matéria, a “The Slow Bakery”, situada no bairro de Botafogo. Os idealizadores deste empreendimento recuperam a maneira mais primitiva de se fazer um pão, com um tipo de fermento natural, que os franceses chamam de “levin”, e em inglês é chamado de “Sourdough”, que consiste em usar as próprias bactérias e microrganismos presentes no ambiente para fazer o pão crescer e ser tão especial. Nesse processo, a água também é muito importante para termos um produto único e diferenciado. Outro fator fundamental para este processo é o tempo, esse tipo de pão pode passar mais de 30 horas fermentando, o que torna seu resultado final surpreendente.

Por conta do tempo de fermentação dos pães não ser pequeno, na “The Slow Bakery” você encomenda seus pães pela internet e busca no dia seguinte, ou você pode aproveitar o café, que conta com um cardápio variado que vai de croques, um joelho bem gourmetizado, mas incrivelmente saboroso, a uma panelinha de ovo frito, aquele de gema mole, pra comer com uma torrada do pão que é o carro chef da casa, o “Rio Sourdough”, sanduíches do dia, entre outras delícias.

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Mas é claro que não existe só essa padaria boa no Rio, fiz uma seleção de algumas que conheço ou de nome, ou de quilos engordados mesmo, pois não dispenso um bom pão quentinho, e são elas: Talho Capixaba, La Bicyclette, Boulangerie Guerin, Le Depanneur, Boulangerie Carioca, Le Pain du Lapin, Deli Delícia.

Essas são algumas opções que selecionei para comermos aquele pão fresquinho e delicioso, basta confiarmos que o padeiro é bom e que a causa é nobre, garanto que seu café da manhã nunca mais será o mesmo depois dessa experiência de comer um pão feito de maneira correta, respeitando seus ingredientes, o tempo de fermentação e principalmente nós consumidores que só queremos começar bem o dia com um pão honesto. Até a próxima dica e bom pãozinho, bem quentinho…

Sobre Áila Neder (17 artigos)
Áila Neder, formada em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comissária de bordo, depois de sofrer muito por conta do que realmente queria fazer da vida, se encontrou nas panelas e na beira do fogão. Desde pequena ajudava sua avó nos preparos de bolos e doces para as festas da família, em 2013 resolveu enfrentar os preconceitos ainda existentes na profissão e abraçar de vez sua verdadeira vocação. Entrou para o curso de gastronomia no IBMR Laureate, estagiou em vários restaurantes franceses e hotéis internacionais, hoje formada faz pós-graduação em patisserie pela UNISUAM.

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