Pedindo comida na era digital

 

Pedir pizza ou qualquer comida em casa, sempre obedeceu a uma série de rituais que adotamos ao longo dos anos. Quando a fome apertava e a preguiça ou qualquer outro motivo não deixava que saíssemos do conforto do lar, precisávamos enfrentar uma maratona para que a comida viesse até nós. Bastava pegar o telefone, discar o número do restaurante, torcer para ser atendido, fazer o pedido e responder a uma série de procedimentos, que incluíam fornecer o número do telefone, endereço, ponto de referência e forma de pagamento. Por sorte, esse procedimento levaria uns 15 minutos, e até recebermos o pedido em casa, mais uma hora. Então, a gente torcia para que o pedido chegasse quente e intacto e com um aspecto visual aceitável.

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O tempo foi passando e as tecnologias evoluindo, assim como os procedimentos adotados para atender o cliente de forma remota. O atendimento passou a ser mais rápido e os estabelecimentos começaram a cadastrar os contatos dos clientes, para que ao ligarem, fornecessem apenas o nome, fazendo com que desta forma, todos os dados essenciais ficassem disponíveis para o atendente e agilizasse o pedido. As entregas também melhoraram, com novas formas de armazenamento do produto, que passava a chegar mais rápido e sem perder suas características originais. O “ponto de referência”, passou a ser um mero detalhe, pois a geolocalização se tornou um aliado de peso para os entregadores chegarem ao destino sem maiores dificuldades.

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Mas, como tudo o que é bom pode sempre melhorar, veio a popularização das mídias digitais e a adoção por empresas preocupadas em estreitar os laços com seus clientes e utilizar a tecnologia aliada a técnicas de Marketing Digital, descobrindo muito mais que um endereço e número de telefone. Facebook, Whatsapp, e até o próprio site são comumente usados para solicitar que restaurantes, padarias e todo tipo de comércio realize entregas. Além destes, aplicativos específicos já são usados há um tempo e muito populares, com objetivo de pedir refeições de restaurantes ou lanchonetes próximos, diretamente do celular, sem precisar gastar créditos com ligações.

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Basta abrir o app e fazer a busca pelo restaurante de onde quer pedir. Ele localiza estabelecimentos que tenham no cardápio, um tipo específico de prato solicitado por um cliente, dentro de uma faixa de preço pré-estabelecida e num determinado raio de alcance, usando geolocalização. Após selecionar os itens, o usuário confirma num carrinho e escolhe a forma de pagamento. Esses apps emitem alertas com a confirmação do pedido e o status do prato e ficam com uma porcentagem do valor.

Aliado a isso, as empresas passaram a identificar os hábitos de consumo dos clientes, criando um banco de dados com uso de Big Data, uma tecnologia de armazenamento de dados, estruturados, ajudando a tomada de decisões de acordo com o público alvo, e permitindo personalizar cada vez mais os serviços prestados, de acordo com o comportamento de consumo do cliente. Ao pedir uma pizza de quatro queijos, por exemplo, esse pedido fica registrado no sistema da empresa, que com ajuda de inteligência artificial, cria uma lista de preferências, podendo informar a esse cliente o dia em que seu sabor preferido está com desconto, por exemplo, dentre uma série de outras benesses.

No mundo onde as empresas possuem cada vez mais os dados detalhados dos seus consumidores, é tão normal que saibam nossos hábitos de consumo quanto telefone e endereço de entrega, criando um vínculo cada vez maior entre cliente e empresa. Uma relação que pode ser vantajosa para ambos, mas que mostra o poder cada vez maior exercido sobre nós, reles mortais, por companhias de diferentes portes, sem que percebamos, criando uma relação de dependência e dominação.

Sobre Victor Hugo (18 artigos)
Victor Hugo Ximenes Descrição: Jornalista formado pela Universidade Candido Mendes, atua na área de produção de conteúdo e assessoria de comunicação para políticos e instituições. Atualmente cursa pós graduação em marketing digital na FGV. Apaixonado por música, aviação e fotografia, adora registrar rostos, paisagens e esporadicamente trabalha em eventos. Apesar do apreço pela tecnologia também é um crítico de como ela influencia no comportamento humano e se torna um vício que afasta as pessoas umas das outras e de si mesmas.

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