Entrevista com Felipe Bond

 Felipe Bond é um cineasta que poderia ser muito bem um advogado ou um ator. Ele é formado em Direito, mas achou seu caminho nas artes. Hoje está prestes a lançar o seu filme ” Como você me Vê”, que com certeza ganhará  a atenção de todos que forem assistir, pois é um filme que fala de luta, e de como a carreira de ator é intensa. Com vocês Felipe Bond !

                                                                                                                 Por Josué Junior 

 

Felipe, você é curitibano, fez direito e também é ator formado. Como 
você se tornou diretor de cinema, podendo escolher entre duas 
profissões?
Bond: O Direito foi uma profissão que surgiu na minha vida meio que por
falta de opção, em uma época em que não tinha a consciência que poderia
fazer outra coisa além de uma profissão dita mais segura. Quando me
entendi com vocação para fazer teatro, graças ao Direito e o Movimento
estudantil, entrei numa faculdade para me profissionalizar e seguir a
carreira. Na sequência disto o Cinema surgiu como cano de escape, como
uma válvula que o ator precisava para potencializar seus caminhos, e
acabou sendo um amor incondicional e um objetivo concreto de alcançar e
realizar.

No longa metragem “Como você me Vê “, que estreia agora no dia 18 desse 
mês, você passa todas as agruras que um ator ou uma atriz passa quando
realiza um teste para o papel de interesse. Dessa forma veremos como é 
sofrida e intensa a carreira do artista?

 
Bond : Acredito que o objetivo maior é discutir a profissão, colocando
ela no papel de igualdade a qualquer outra, sem glamour. Com
dificuldades, amor e tesão pelo que está fazendo, assim como o advogado
, o médico, o arquiteto e etc… Mostrando que o artista é como
qualquer outro profissional , que estuda , se dedica, encontra
dificuldades de se inserir no mercado, e que vive junto disso uma
“idealização” da grande maioria das pessoas, de que tudo é muito fácil,
muito glamoroso, promiscuo etc, etc….não, é difícil e muitas vezes
perverso , porque somando tudo isso que falei , tem também o auto
conhecimento , o mergulho em si e no humano. Ser artista é mergulhar nas
vísceras da humanidade e não é nada Fácil! Então , é intenso, mas nem um
pouco sofrida, pois existe muito amor envolvido!!!

 

felipe3

O artista quando não está na mídia, está correndo atrás entre um teste e 
outro. Essa ralação é passada no seu filme com histórias de artistas
famosos ou não? E de todas as histórias que você filmou, qual foi a que 
mais te comoveu?
Bond: O que o filme conta é sim sobre dificuldades na profissão , de
atores nas suas mais variadas posições no mercado, e da não glamourização
da profissão. Mas acima de qualquer coisa, ele traz à luz um debate
sobre como podemos tornar esta profissão tão bonita e importante para a
cultura, uma profissão mais valorizada, no âmbito geral, para todos,
não só para quem está na TV, mas para quem está nos palcos, nos teatros
infantis , nos teatros de empresas, no teatro de rua, nos circos, nas
performances , na dança ,na música, no cinema, nas artes plásticas..etc
e etc , dando mais incentivo e valorizando a arte no nosso país! Todas
as histórias me emocionam, porque cada uma delas é um pouco, e tudo de
mim!

Qual foi a história que você gostaria de ter filmado e não conseguiu?
Bond: Tenho vários atores que gostaria que estivessem no filme! Se
pudesse, filmaria todos os atores do Brasil! Mas como fazer isso? Não
dá né… rs Acredito que tem histórias muito lindas soltas por aí, assim
como as que estão no filme…então seria mágico ….mas tive que
terminar, porque se não, seria um filme sem fim, rs… mas quem eu
gostaria que fizesse parte era a Fernandona (Fernanda Montenegro) seria
mágico ter ela contando seus caminhos e suas visões! Não conseguimos
por conta de agenda, quem sabe numa próxima!!!

Qual foi o ator ou atriz que não conseguiu filmar? E por qual motivo não
aconteceu?
Bond: Muitos! Como eu disse, se fosse por mim ainda estaria
filmando…e todos os possíveis e inimagináveis!! rsrs
Os que tinham as agendas muito apertadas, com novelas cinema e viagens,
foi realmente muito difícil e por vezes quase rolaram!!

Falando um pouco sobre dificuldade em fazer cinema, quais foram as 
dificuldades enfrentadas para se realizar o filme?
Bond: Foram todas as dificuldades de se fazer arte independente no
país!!! Caminhos não facilitados para o artista independente em editais
de incentivo pelas mil e uma burocracias, descrédito de empresas no
artista e produtora independente desconhecida da mídia, para apoiar ou
investir, … todas as dificuldades de se empreender e realizar a obra,
desde a pré produção à finalização. Não foi nada fácil. 4 anos se
passaram desde a concepção.
Mas graças ao amor e a colaboração que abraçam o vocabulário da maior
parte dos artistas e empreendedores deste novo mundo que estamos
vivendo, conseguimos achar parceiros, apoiadores e coprodutores
incríveis no meio da nossa caminhada!! Assim, conseguimos chegar no
final respirando com um pouco mais de leveza e o filme esta aí , pronto
para encarar este mundão!

O que você espera gerar no público depois que o filme estrear?
Bond: Apenas que todos fiquem atentos aos artistas com olhos mais
amorosos e menos glamourosos. Todos nós passamos por poucas e boas neste
mundo louco, e o artista, ele é igualzinho a qualquer um. Assim sendo ,
digo : Vambora sair de mãos dadas e dialogar sobre como podemos tornar
este mundo mais justo e amoroso para todos nós! É isso que pretendo!!!

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Sobre Josué Júnior (84 artigos)
Josué Júnior, carioca, fotógrafo profissional pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Há mais de dez anos no mercado fotográfico com ênfase em moda e publicidade. Atualmente fotografa para o site Versão Masculina, especializado em comércio de produtos masculinos. Em sua empresa Arte foto Designer, desenvolve seu trabalho autoral, no qual pode ser apreciado na sua pagina : www.facebook.com/fotosjosuejunior?ref=bookmarks ,ou em seu Instagran .https://www.instagram.com/josuelbjr/

2 comentários em Entrevista com Felipe Bond

  1. Péricles G. Albuquerque // 16/01/2018 às 5:57 pm // Responder

    Parabéns Josué, pela iniciativa do entrevistador e do entrevistado. O público, no geral, enxerga apenas o glamour da arte, sem darse conta, algumas vezes, das dificuldades em chegar lá. Um forte abraço!

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