Purple rain, purple rain

 

Ao considerar que a cor de 2018 é o ultra violet recaímos em definições difundidas pela Pantone. Como a de que ela traz consigo dizeres da contracultura, da originalidade e também do visionário, a marca autoridade em cores nos alertou para um cenário mundial um tanto polarizado e, que necessita de luz para o que ainda está por vir. É a necessidade de perceber e mesmo mudar além do que vemos bem debaixo de nossos narizes. Sair da ideia de centro e perceber que orbitar em outros mundos merece atenção e cuidado.

Adoraria pensar que ela só estivesse ligada aos ídolos como Prince e Bowie, mas seria muito ingênuo de minha parte não perceber que o roxo é a fusão de duas cores: o vermelho e azul.

Duas cores polarizadas seja pelos bois garantido e caprichoso da Amazônia, seja pelos republicanos e democratas ou mortadelas e coxinhas na política, e que invadem o imaginário e estimulam a competição com comportamentos extremos e um tanto reativos. Cores políticas, de torcidas, partidárias e que romperam relações de forma extrema pelo mundo.

Cores que separam, mas que juntas viram a tendência.

E a escolha do roxo? Nossa quaresma essencial.

A primeira vez que me lembro de uma missa tinha por volta de quatro anos e já era uma criança atrevida, com olhares inquietantes de moda e louca para desvendar um mistério, a mudança de cada detalhe nas vestes do padre. Cada época uma cor, uma mensagem. E foi assim que descobri que é nas mudanças que percebemos que as vestes são carregadas de simbolismo, controle de tempo e por fim, possibilidade de ser luz para o mundo. E o roxo carrega contrição e penitência, a possibilidade de reconstruir pelo amor e pela graça, incluindo na escolha das vestes. Essa escolha é, então, uma forma de reagir a ataques complexos que estão nos fazendo imergir em competições e segregações.

Cada escolha emite uma mensagem, uma possibilidade de o indivíduo ter algo maior, grande, ele não pode ser menor do que ele aparenta ser. É inclusive o vestir para representar, nos permitir ressurgir. É o que as vestes roxas nos permitem; geram no ser humano que veste e que vê uma introspecção, uma reflexão maior sobre o trivial, o cotidiano. Podem ter traços de melancolia, um breve tom de tristeza que será mudado pela alegria, o recomeço e a cor branca de um sábado de salvação, de ressurreição. Vestindo o branco. É o resultado de uma escolha política, uma nova história.

 

 

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Sobre Karla Oliveira (27 artigos)
Sou Karla Beatriz, brasiliense, designer de moda e jornalista por formação, apaixonada por moda, futebol,viagens, sempre em busca de novas experiências e tendências. Na coluna "Moda", vou explorar esse universo com um olhar especial, trazendo o melhor da moda, com dicas atuais. https://www.instagram.com/arrisca_/

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