Vestir é convite, mas também é regra

 

 

 

Quem nunca errou a roupa? Ao me olhar no espelho, hoje pela manhã, consegui enxergar alguns acontecimentos passados, nostalgia ou mesmo um momento que não caberia no dress code, daqueles que mereceriam expulsão de um jogador sem direito a contestação.

Hoje sorrio e compartilho em minhas aulas a situação daquele erro, lembro-me como se fosse hoje. Estava apaixonada, começava a viver alguns compromissos com o namorado novo, nessa etapa sempre queremos nos inserir em qualquer lugar que o amor esteja. Foi assim, que não neguei nenhum convite e fui eu parar em uma profissão de fé bem diferente da minha. Não conhecia muito ou melhor, não conhecia nada, tinha apenas uma leve recordação de que na novela Barriga de aluguel, eles tinham sua representação, mas não procurei saber mais e achei que era um lugar qualquer e que poderia ir com a minha moda. Errei o modo.

Uma bela regata de seda, em tom rose, uma calça flare de cintura alta. Não me esqueci de caprichar nos acessórios e recorri ao meu crucifixo gigante e brilhoso, além de caprichar no batom, um rosa marcante. Errei ao imaginar que meu jeito de vestir, sempre elogiado, era adequado. Não era. A escolha poderia ser usada na missa, até no culto, porém, não era adequado para aquele local.

Para todos, as regras eram claras, para mim, uma desavisada fashion, não. De um lado as mulheres, de outro os homens. Meu desconfiômetro começou a gritar e, era o que fazia por dentro ao perceber que elas tinham os braços cobertos, nada de maquiagem e todas de saia. Queria fugir, sentar, me esconder, fazer qualquer coisa que me deixasse invisível. Meu desconforto era enorme e não parou por aí, pois ao ouvir o discurso do líder naquela noite de domingo, eu ouvi: ao carregar uma cruz é sinal de que você idolatra algo e não vive a verdadeira salvação.

Eu só pensava em sair dali correndo e não voltar nunca mais.

Naquele momento reforcei a ideia de que a roupa veste a todos, é uma espécie de proteção, de diálogo, de discurso, mas nem sempre elas nos fazem falar corretamente. Precisamos saber ler os convites da vida e o que a ocasião pede, tendo em mente que as regras não limitam, apenas direcionam. Para alguns moda, para todos um código.

 

 

Sobre Karla Oliveira (29 artigos)
Sou Karla Beatriz, brasiliense, designer de moda e jornalista por formação, apaixonada por moda, futebol,viagens, sempre em busca de novas experiências e tendências. Na coluna "Moda", vou explorar esse universo com um olhar especial, trazendo o melhor da moda, com dicas atuais. https://www.instagram.com/arrisca_/

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