Arroz nosso de todo dia.

Sarney assumiu a presidência em 1985, depois de 21 anos de ditadura militar no Brasil. Fato ocorrido após a morte de Tancredo Neves, eleito de forma indireta e conhecido como o Senhor Direto. Sarney teve um grande marco em seu governo que foi a formação de uma Assembleia Constituinte responsável por redigir e promulgar a constituinte de 1988. Esse foi o grande feito que enriqueceu o currículo político de Sarney, mas o que ficou mais evidente em sua administração foi a inflação, marcada com as famosas filas do arroz e do feijão, sem contar com os Planos Cruzado e Cruzado 2.

No ano anterior à sua posse, ainda na ditadura militar, a inflação no país chegara a 215,27%. A ditatura militar chega ao seu fim, com o brado retumbante do povo a clamar “Diretas Já”. Sarney saiu do seu cargo de presidente, sem pôr um fim à inflação e seguido de escândalos de corrupção.

Atualmente, vivemos um momento único e muito diferente de 1985, mas ao mesmo tempo, com muitas semelhanças. A comparação é fruto das consequências da pandemia que tem deixado marcas em nosso país. O mundo desacelerado economicamente é a razão que justifica todos os problemas que vivenciamos. No começo da pandemia, boa parte da população recorreu aos supermercados e as farmácias, com o objetivo de abastecer suas casas. Os empresários destes seguimentos viram a oportunidade de lucro. Por essa razão, o presidente da Abras destacou, no dia 09/09/20, três fatores que contribuíram para a disparada dos preços dos alimentos: queda de produção na safra; aumento na exportação, em razão da subida do dólar; aumento do consumo interno.

Bolsonaro, no dia 08/09/20, antes da reunião com o presidente da Abras, fez a seguinte declaração aos jornalistas: “Eu tenho apelado a eles. Ninguém vai usar caneta Bic para tabelar nada. Não existe tabelamento. Mas, estamos pedindo para eles que o lucro desses produtos essenciais para a população seja próximo de zero. Eu acredito que, com a nova safra, a tendência é normalizar o preço.”- afirmou. Entenda que ao falar que “ninguém vai tabelar” e que “está pedindo para que o lucro desses produtos essenciais fique próximo de zero”, ele afirma que não irá intervir no aumento dos preços. Já Ciro Gomes, em entrevista ao programa Roda Viva, fornece essa declaração:  

Nesse vídeo, Ciro Gomes expõe um pensamento que poderá ser verdadeiro, em breve. Bolsonaro não terá como sustentar uma economia estagnada, com alta de preços em vários seguimentos e sem empregos para o povo. O fantasma do governo Sarney começa a rondar.

Paulo Guedes, com sua economia liberal, não terá força caso as reformas administrativas não sejam aprovadas. Parece um cenário de guerra, mas é verdade! Agora com a pandemia teremos um antigo vilão chamado inflação, que há muito tempo não visitava esse país. Vamos ver como o capitão Bolsonaro conseguirá escapar dessa, sem afetar o povo brasileiro. Povo esse que já sofre por várias razões, como o próprio fantasma da pandemia e sua foice, empresários de vários ramos falindo, uma educação em sofrimento e uma saúde mostrando sua precariedade. Desemprego, morte, sequelas, falta de perspectivas… o que mais nos aguarda?         ​             

Sobre Josué Júnior (544 artigos)
Josué Júnior, carioca, pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Atua no mercado com sua empresa Arte Foto Design é proprietário do site de conteúdo Linkezine. Registro Profissional: MTb : 0041561/RJ

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