Entrevista com o Delegado Fernando Veloso

Delegado Fernando Veloso foi ex- chefe da polícia civil no Estado do Rio de Janeiro, é graduado em Direito. Durante um tempo foi comentarista de segurança para a TV Globo. No ano de 2020 saiu candidato para vice Prefeito da cidade do Rio de Janeiro pelo partido PSD. Nessa entrevista falamos um pouco dos desafios que o Município vai enfrentar pós Crivella. Segue também meus agradecimentos ao Sylvio Netto do PSD  

Delegado Fernando Veloso foi ex- chefe da polícia civil no Estado do Rio de Janeiro, é graduado em Direito. Durante um tempo foi comentarista de segurança para a TV Globo. No ano de 2020 saiu candidato para vice Prefeito da cidade do Rio de Janeiro pelo partido PSD. Nessa entrevista falamos um pouco dos desafios que o Município vai enfrentar pós Crivella. Segue também meus agradecimentos ao Sylvio Netto do PSD  

Com você Delegado Fernando Veloso!

Linkezine : Ano novo, prefeito novo. Esse ano de 2020 o senhor concorreu ao pleito como vice-prefeito do candidato Luís Lima. Dentro do seu plano de governo enfatizou que o Rio de Janeiro precisa de um choque de ordem urgente. Na sua visão, como resolveria essa desordem no município do Rio de Janeiro, e será que o novo Prefeito terá essa condição de resolver tantos problemas em quatro anos?

Delegado Fernando Veloso: Segurança é uma matéria interdisciplinar por definição e é por isso que o Estado do Rio de Janeiro e o nosso Município falha ao tentar implementar políticas públicas que minorem esse problema. Veja, o crime ocorre em TODOS OS PAÍSES e em TODAS AS GRANDES CIDADES do mundo, mas ao contrário do nosso país em outras sociedades esse fenômeno social/econômico é encarado, sem vitimismo ideológico ou politização exacerbada. Quando falamos e defendemos durante a campanha a necessidade de um CHOQUE DE ÓRDEM, o fizemos não apenas sob o ponto de vista POLICIAL/REPRESSIVO, como quase sempre esse problema é abordado. No Rio de Janeiro é preciso DEVOLVER as ruas aos cidadãos de bem. É preciso acabar com a SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA que se espalha e se perpetua alhures em nosso estado e em nossa cidade. E isso passa por um olhar que não seja SECTÁRIO ou HIPÓCRITA, levando em consideração o caráter interdisciplinar desse importante seguimento do governo. Hoje as Praças e Ruas estão tomadas de MORADORES DE RUA, PEDINTES, DESOCUPADOS, CRIMINOSOS e VICIADOS, sem que ocorram ações que possam separa o Joio do Trigo. Que possam AMPARAR, TRATAR, CUIDAR e RESSOCIALIZAR quem foi “parar nas ruas” por contingências pessoais, econômicas e etc. Começando pelo ACOLHIMENTO e até mesmo pela INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA de cidadãos “drogadictos”, de “viciados”, com o chamamento e participação de suas famílias no processo, as ruas e praças voltarão a ser um LUGAR DE CONVIVÊNCIA e a própria SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA diminuiria, permitindo a retomada da atividade econômica da cidade com serviços e eventos culturais. E o caráter repressivo, você pode perguntar? Defendemos que o país precisa evoluir para o conceito de POLÍCIA MUNICIPAL, porque o crime ocorre primeiramente nos lares, nas ruas e nos bairros e não NO ESTADO, um ente distante dos problemas cotidianos dos cidadãos. Falamos de um conceito VITORIOSO em muitos países, qual seja o de uma POLÍCIA DE PROXIMIDADE. Ora, somos sabedores de que isso ainda não é uma realidade no nosso país e em nosso município, então como resolver? Nossa resposta é a formação de uma FORÇA TÁTICA na Guarda Municipal para atuar em apoio, talvez até no primeiro combate a conflitos armados, mas principalmente e MUITO MAIS IMPORTANTE montar um NÚCLEO DE INTELIGÊNCIA forte e atuante que conseguisse utilizar de forma eficiente os recursos tecnológicos do CO-RIO e fizesse um trabalho efetivo de campo IDENTIFICANDO e submetendo material probatório para apoiar a Polícia Civil em seu mister. Se somarmos a isso a reorganização da escala de serviços do que seria o embrião da POLÍCIA MUNICIPAL para aumentar a PRESENÇA OSTENSIVA, o PATRULHAMENTO das Praças, Ruas e Avenidas do Município do Rio de Janeiro em muito pouco tempo, acreditamos, cometer crimes nas ruas de nosso Município seria muito arriscado para os marginais da Lei. Quanto às condições do novo Prefeito para resolver essa questão em quatro anos, só o tempo dirá, mas para que isso fosse possível a administração que assumiu teria de ter uma visão mais ampla, técnica e sobretudo experiente no combate aos crimes simples e complexos que nos atormentam. Eu, na condição de cidadão Carioca, SINCERAMENTE torço para que esses objetivos sejam atingidos.

Linkezine : São tantos desafios nesse Município que fica difícil de enumerar, mas a Educação é uma delas. Estamos vivendo um cenário de Pandemia onde existem muitas dificuldades para o retorno às aulas presenciais e mesmo o ensino remoto, já que na rede municipal muitos não tem como seguir as aulas online. Como será possível recuperar a defasagem dos alunos nesse ano de 2020, agora em 2021?

 Delegado Fernando Veloso: Considere o seguinte: O ensino remoto veio para ficar. Não há mais como retroagir, como voltar atrás e isso também já mudou a forma de executar o trabalho nas empresas. Considere uma empresa de Advocacia que tinha dois andares inteiros em um edifício do centro da cidade, por exemplo. O trabalho remoto provou que manter esses espaços abertos, gastando luz, água, insumos básicos, tendo que contar com variáveis como trânsito engarrafado, atrasos, faltas, não faz mais sentido. Inclusive para a qualidade de vida dos funcionários, que começaram a aprender efetivamente a realizar o trabalho remoto. Ora, o profissional NÃO MAIS DO FUTURO, mas o trabalhador de hoje precisa ser formado para atuar nesse mercado, neste chamado “Novo Normal” e os professores, que nunca chegaram a ser preparados para lecionar nesses “ambientes virtuais” precisam receber urgentemente um treinamento efetivo para multiplicar, ampliar a qualidade de suas aulas. E veja, com o ENSINO À DISTÂNCIA é possível construir TURMAS MENORES, personalizando ainda mais o ensino, individualizando as estruturas de apoio para não apenas RECUPERAR O TEMPO PERDIDO, mas também criar o conceito regular de AULAS DE REFORÇO. Com isso também o mercado de trabalho dos DOCENTES poderá ser ampliado e até mesmo pode a Prefeitura celebrar contratos com esses profissionais, que no passado chamaríamos de explicadores, para apoiar os alunos da Rede Municipal de ensino. Mais uma vez temos que a MENOR NECESSIDADE da presença pode facultar redução de custos em muitos setores e seguimentos e esta REDUÇÃO (luz, água, etc), por exemplo, poderia permitir que houvesse um investimento da Prefeitura em equipamentos (Laptops, Tablets, Pen Drives, etc) que substituiriam lápis, caneta, caderno, uniformes. Bem como em acesso à Internet de Alta Velocidade para diminuir distâncias, o desgaste com deslocamentos, aumentar a segurança e, sobretudo tornar REAL e VERDADEIRO a tão decantada “inclusão digital”.

Linkezine : O novo Prefeito eleito está anunciando um plano para vacinação contra o Covid19 que deve começar em breve. Como o senhor visualiza a chegada da vacina, e como o comércio e o turismo poderão começar a aquecer novamente?

Delegado Fernando Veloso: As vacinas são muito bem vindas, evidentemente. Sem que nos descuidemos dos cuidados básicos com os chamados grupos de risco, as pessoas que apresentam as chamadas comorbidades. Porém mais do que uma vacina, precisamos aproveitar esse aprendizado para evoluir, para crescermos como sociedade e adquirirmos o conceito de coletividade, de respeito ao outro. Porque antes do COVID-19 pessoas com resfriados se deslocavam em transporte públicos sem máscaras? Entravam em ambientes fechados com ar condicionado sem utilizar o álcool em gel e não ligavam para a contaminação dos circunstantes? Todos foram, enquanto sociedade, surpreendidos por essa onda viral, mas isso não pode ocorrer novamente. Já não era sabido que o número de UTIs sempre foi insuficiente para atender às demandas da população dos Municípios? Quantas e quantas pessoas MORRERAM nas filas dos hospitais, nas emergências, nos corredores, sem que recebessem um atendimento digno, humano e eficiente? Então porque nunca foi articulada uma POLÍTICA DE SAÚDE PÚBLICA que descentralizasse o atendimento, não obrigando a “migração de pacientes” de um município para o outro, sobrecarregando e penalizando quem investiu em sua Rede de Pronto Atendimento? Há falta de verba para a saúde? Os números ao longo dos anos parecem indicar que não. Então onde está o problema? Simples: na má gestão dos recursos, nos gastos superfaturados, nas contratações suspeitas, nos desvios de função, na ausência de médicos para o primeiro atendimento, porque muitos priorizam seus consultórios particulares em detrimento da Rede Pública. Mas onde está a NOVIDADE nisso? A mídia não denuncia tais descalabros há décadas? A atividade econômica, com a chegada da vacina e mesmo depois dela, PRECISA SER RETOMADA. Porém as questões de higiene e saúde pública precisam ser, como dissemos em relação à segurança, uma ação, uma visão, um projeto interdisciplinar, transversal e coletivo. Condições de higiene precisam ser EFETIVAMENTE fiscalizadas, sem favoritismos, sem compadrios, apenas com uma visão técnica, impessoal e científica e os empresários precisam entender que MAIS VALE um empregado em casa SE TRATANDO do que esse mesmo empregado na empresa CONTAMINANDO colegas e clientes. Se não aprendemos isso, se não fizermos O BÁSICO, como acreditar que sobreviveremos ao próximo vírus, à próxima Pandemia, ao próximo mutágeno? Quer um exemplo ridiculamente BÁSICO que diz muito de nossa sociedade e de nossos gestores públicos? Como admitir que em pleno Século XXI, no Município do Rio de Janeiro ainda tenhamos cidadãos que convivem sem uma Rede de Esgotos efetiva em suas residências e que não disponham de água potável? Mas canos e manilhas no interior da terra não podem ser vistos, não é? E por isso não “dão votos”, o que diz muito do nosso país, do nosso estado e do nosso município.

Linkezine: Ainda na área de saúde, o Rio está em estágio vermelho para a pandemia por conta da flexibilização e falta de fiscalização. Os hospitais com 100% da sua capacidade e números de mortos só aumentando. Onde foi que a administração do Prefeito Crivella errou?

Delegado Fernando Veloso: Creio que essa pergunta foi indiretamente respondida na resposta à pergunta anterior. Crivella não errou sozinho, ele está em péssima companhia quando se fala de má gestão, na falta e planejamento, na ausência de uma visão macro da coisa pública. Licitações suspeitas para hospitais emergenciais, respiradores custando quase dez vezes mais do antes da pandemia e sendo adquiridos de forma açodada e talvez até criminosa. Isso foi visto EM TODO O PAÍS, mostrando que a incompetência, que a má gestão, que a apropriação da coisa pública é a regra e não a exceção. Porque para ser INTERNADO o cidadão tem que “Falar com a Márcia”, porque o critério para a instalação de um tomógrafo não é técnico, mas “afetivo” (para ser bastante gentil)? Como dissemos anteriormente: QUANDO FOI que nossos hospitais não estiveram PRÓXIMOS dos 100% de ocupação de seus Leitos de UTI? Quando foi que esses leitos e as estruturas de pré atendimento, pronto atendimento e de prevenção a doenças foi levada a sério em nosso Município? Crivella foi apenas mais um. Ele é mais do mesmo!

Linkezine : O município do Rio de Janeiro ainda é considerado um município muito violento, onde o turista é bem tratado, mas também roubado. O Senhor acha que armar a guarda municipal é a solução do problema da violência urbana?

 Delegado Fernando Veloso: Não apenas ARMAR A GUARDA! Dar a ela uma GESTÃO INTELIGENTE! Fazer da SEOP uma Secretaria que efetivamente promova a ORDEM PÚBLICA, se necessário fazendo modificações no Ordenamento Jurídico que empoderem os Agentes do Município no desempenho de suas funções. A questão, voltamos a ela, é a efetivação de uma POLÍTICA DE SEGURANÇA voltada para o conceito de POLÍCIA DE PROXIMIDADE e os Grupamentos Táticos Operacionais que propusemos na campanha foram inspirados na Polícia de Londres que tem resultados muito significativos no controle da criminalidade. E com a retomada dos ESPAÇOS PÚBLICOS pelo Município, com a cooperação e participação do Estado e da União, não apenas os Turistas, mas o Cidadão Carioca, que mora, trabalha, se diverte, vive aqui na Cidade Maravilhosa teria de volta o seu DIREITO de IR e VIR, grafado na Constituição mas que por vezes parece ser, digo com tristeza, letra morta.

 Linkezine : Existem problemas em quase todas as áreas, mas gostaria de fechar essa entrevista com uma esperança para 2021. Por favor aponte uma esperança que poderemos ter já em 2021, com a vacina e um possível cenário positivo de retomada à normalidade?

 Delegado Fernando Veloso: O povo Carioca é alegre, festivo, receptivo, amoroso e sobretudo defensor da família e da sociedade. Temos um povo resiliente, resistente, aguerrido, criativo, empreendedor, religioso (sim a Fé ajuda e muito na manutenção da Esperança) e, porque não dizer, VITORIOSO. Contra tudo e contra todos, vimos sobrevivendo a maus gestores, a uma malta de desocupados e criminosos há décadas sem NUNCA DESISTIR, sem NUNCA CAPITULAR, porque amamos nossa cidade, nosso estado e nosso país! A palavra de ESPERANÇA está na fé de nosso povo! É no Cidadão Carioca em que eu ACREDITO. E termino citando o óbvio ululante, como disse Nelson Rodrigues, em palavras que não são minhas. São as palavras daquele Ambulante que vendia água em Copacabana e foi convidado para dar palestra em Harvard. Rick Chester (esse é o seu nome) ensinava, nas redes sociais, como sustentar a casa vendendo água. Ele pediu R$ 10,00 (Dez Reais) emprestados para iniciar o próprio negócio. E, segundo ele, “o segredo é olhar para onde todo mundo olha e enxergar o que ninguém vê”. É preciso dizer mais alguma coisa?

Sobre Josué Júnior (500 artigos)
Josué Júnior, carioca, pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Atua no mercado com sua empresa Arte Foto Designer, é proprietário do site de conteúdo Linkezine , @linkezine . Dentro do site abaixo é possivel ver um pouco da atuação da Arte Foto Designer no mercado : https://www.omnistore.net.br/

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