CPI do Covid 19

No momento, o Brasil chega à 380 mil mortes por Covid 19, com previsão de chegar à 400 mil até maio. Não é um pressentimento meu, um leigo, mas sim de profissionais que estão vivendo o dia a dia dos hospitais, na linha de frente, trabalhando com a carga horária acima da exigida pela categoria. Tudo isso para atender a população que continua contraindo o vírus por falta de vacinas, aglomerações, falta de isolamento social, não uso de máscaras, além da baixa fiscalização nos meios de transportes, entre outros. Na verdade, são tantos os motivos que vem levando o brasileiro a óbito por covid 19, que só uma investigação poderá responder. 

A condução desastrosa do Governo Federal será investigada numa CPI. Além da conduta do governo em relação à pandemia, outras questões serão revistas; a falta de oxigênio no estado do Amazonas, no início do ano, ainda na gestão de Pazuello; o atraso na compra das vacinas Pfizer são exemplos de pontos que precisam ser esclarecidos. Essa CPI pode levar à famosa frase de Ulysses Guimarães: “CPI a gente sabe como começa, mas não sabe como termina.”, bem apropriada para este momento. Na maioria das vezes, termina em pizza, mas espero que esta CPI traga luz e justiça aos brasileiros.     

É preciso alertar que a pandemia tem uma linha do tempo que inicia na terça-feira de carnaval, 26/02/2019, quando surge oficialmente, o primeiro caso de internação, em estado grave, no estado de São Paulo, no caso um homem de 61 anos. Naquela época o Ministro da Saúde era José Luiz Mandetta, médico que tinha uma visão assertiva do que estava acontecendo e do que estava por vir. Em entrevistas, sempre deixava claro que o vírus era um inimigo perigoso, que só seria combatido com distanciamento social, álcool gel, máscara e ciência. Naquela época, os estudos com relação às vacinas eram poucos e o assunto era tratado com cautela. Mandetta sofreu nas mãos do Presidente, enquanto o Ministro sugeria que a população aproveitasse o final de semana em casa, o presidente dava o exemplo inverso, saía em comitiva, aglomerava, não usava máscara e ainda fazia propaganda de um remédio chamado Cloroquina. Era o Ministro pedindo em nome da ciência e o presidente rezando o terço de forma inversa. Foi tanta confusão que Mandetta deixou o cargo ainda no início da pandemia. Com a chegada de Nelson Teich, todos imaginavam que o problema estaria resolvido, era um médico, com a visão voltada somente à ciência, não teríamos um médico político. Também não durou a passagem de Teich pelo Ministério de Saúde. Infelizmente, o Ministério da Saúde já tinha um Ministro oculto, forte e poderoso conhecido como: Presidente da República! Na sequência chegamos ao terceiro Ministro a ocupar o cargo, um general com formação em administração. Pergunto: O que faz um general do exército, com formação em administração, no Ministério da Saúde? Pois é! Foi o que ele fez! Ainda temos a ala ideológica do governo para aumentar o problema. A ala ideológica começa a perder força, mas antes tinha um núcleo duro e bem organizado, contava com alguns ministros como o ex-Ministro Ernesto Araújo do Ministério das Relações exteriores, que nada ajudou no processo de compra das vacinas, mas essa questão cabe a CPI descobrir o motivo.

O Deputado Federal Alex Manente partido Cidadania nesse vídeo, coloca sua preocupação e afirma que a Câmara Federal também tem o interesse em investigar a condução do Governo Federal, nessa pandemia.

Vídeo do deputado Alex Manente partido Cidadania :

O Ministro do STF, Luís Roberto Barroso, determinou a abertura da CPI do Covid 19, e com isso conquistou a ira do Presidente Bolsonaro. Esse episódio teve desdobramento com apoio do seus colegas de toga.  

Logo começam as articulações políticas. O Senador Kajuru publicou no seu canal do Youtube, uma conversa gravada que teve com Bolsonaro, pedindo a extensão da CPI do Covid 19 para os governadores e prefeitos, informando a Kajuru que a CPI não poderá ser apenas direcionada ao Planalto, por motivos óbvios. Dessa forma, a CPI só atinge Bolsonaro e Pazuello.  

Link da conversa do Bolsonaro e Kajuru:

A semana avança e os problemas de montagem da CPI se acumulam. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, defende que a CPI seja realizada de forma presencial, gerando desconforto por parte dos Senadores e outros seguimentos da sociedade. A Senadora Mara Gabrilli partido PSDB, nesse vídeo, esclarece como é possível realizar a CPI de forma virtual e semipresencial.

Vídeo da Senadora Mara Gabrilli (PSDB):

Mesmo com tanto desconforto, Renan Calheiros, Omar Aziz e Randolfe Rodrigues serão nomes chaves da CPI.

A CPI contará com 11 parlamentares que irão presidir os trabalhos; o governo terá 4 apoiadores e a posição terá 2 apoiadores, sendo que os outros 5 parlamentares são chamados de independentes. Bolsonaro tentou uma aproximação com Renan Calheiros, sem sucesso. Pelo visto, a volta de Renan Calheiros aos holofotes da mídia preocupa o Presidente. Não posso negar que realmente seja algo preocupante, mas devido a outras situações de seu passado político, bem turvo. Mas, esse não é o tema deste artigo. A única esperança no momento é saber se a CPI do Covid19 vai trazer esclarecimentos a pontos obscuros, ou não teremos nenhum vislumbre da justiça esperada. Claro que tudo isso será lembrado lá na frente, quando começar a corrida para a eleição presidencial. Que venha a CPI e com ela a luz dos fatos, pois o Brasil e os brasileiros merecem conhecer a verdade!

                                       #vacinajá       

Sobre Josué Júnior (542 artigos)
Josué Júnior, carioca, pós- graduado pela faculdade Cândido Mendes. Atua no mercado com sua empresa Arte Foto Design é proprietário do site de conteúdo Linkezine. Registro Profissional : MTB : 0041561/RJ

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