Bolsonaro e sua religião
Outubro é o mês da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, e também se comemora o dia das crianças. O dia 12 de outubro deste ano deveria ser utilizado para a reflexão espiritual, mas infelizmente, não foi o que aconteceu. As cenas que presenciamos nas redes sociais foram um verdadeiro show de horrores que atentavam contra a fé. Acredito que seja essa, a melhor definição para a situação exposta. Bolsonaristas invadiram a basílica de Nossa Senhora Aparecida para apoiar seu candidato, um político que não fora convidado a participar do evento em questão. O próprio Arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, em sua fala esclareceu que não era o ambiente, nem o momento para reivindicar votos e que aquele seria o momento para a reflexão espiritual. Enquanto isso, fora da Basílica, infiéis da igreja católica e fies de Bolsonaro propagavam ódio, momentos lamentáveis. Um grupo de bolsonaristas foram vistos cercando profissionais da imprensa, provocando conflitos sem motivo ou razão. Aliás, a imprensa no governo atual foi uma das maiores vítimas de Bolsonaro e em consequência, vítimas de seus apoiadores também, vergonhoso. Dom Orlando Brandes, numa fala direcionada aos fies presente à missa, incluindo o próprio Bolsonaro, explicou que “Maria venceu o dragão. Temos muitos dragões que ela vai vencer. O dragão que é o tentador, o dragão que já foi vencido — a pandemia —, mas temos o dragão do ódio, que faz tanto mal. E o dragão da mentira […], o dragão do desemprego, o dragão da fome, o dragão da incredulidade.” Mesmo ouvindo as palavras do Arcebispo, Bolsonaro permaneceu incrédulo em Aparecida. Sua presença seguiu a um palanque para uma breve exibição aos seus fies seguidores. É doloroso esse clima de religião associada a política, o desdobramento desses atos pode chegar a uma situação irreversível para um estado que é laico, onde já percebemos cristãos se digladiando por razões políticas.
Foi registrado um caso de óbito de um homem durante um culto evangélico por razões políticas. Eram evangélicos que divergiam quanto suas opiniões. Um apoiador de Bolsonaro e o outro, a vítima em questão, apoiador de Lula. Vejam como está a temperatura nas igrejas evangélicas. Bolsonaro, com o seu discurso armamentista, disseminando raiva e mentiras, vem criando quase uma seita particular, uma seita onde seus seguidores não conseguem enxergar o óbvio, simplesmente replicam, de forma fervorosa, tudo que o seu mestre mandar, ou seja, replicam ódio e mentiras.
O Brasil precisa de paz, precisa de um olhar para o futuro sem raiva ou rancor. Que trinta de outubro o brasileiro possa encontrar a tranquilidade que precisa para recomeçar a construir o novo Brasil.

Isso é terrível