Ramagem Pode Perder Apoio de Bolsonaro na Campanha pela Prefeitura do Rio de Janeiro
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) pode estar prestes a perder o apoio crucial do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro. Esta reviravolta ocorre após a revelação de que Ramagem gravou uma reunião com Bolsonaro sem a sua autorização quando era diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A gravação, que agora está em posse da Polícia Federal (PF), causou uma grande irritação em Bolsonaro e pode comprometer seriamente as chances de Ramagem na disputa.
A Reação de Bolsonaro e Seus Aliados
A descoberta da gravação foi recebida com indignação pelos aliados de Bolsonaro. Consideram que Ramagem traiu a confiança do ex-presidente ao registrar em áudio o encontro, visto que a gravação não foi autorizada por Bolsonaro. Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, também está profundamente envolvido no assunto, dada a longa amizade com Ramagem.
Impacto nas Pesquisas de Intenção de Voto
A campanha de Ramagem já não estava forte nas pesquisas. Com apenas 7% das intenções de voto no último levantamento do DataFolha, realizado entre os dias 2 e 4 de julho, Ramagem está bem atrás do atual prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera com 53%, e do candidato do PSol, deputado federal Tarcísio Motta, que tem 9%.
A Situação no Partido Liberal (PL)
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, assegurou que toda a família Bolsonaro estaria envolvida na campanha no Rio de Janeiro para tentar reverter a vantagem de Paes. No entanto, com as novas revelações sobre a gravação, há uma crescente especulação dentro do partido de que o apoio a Ramagem pode ser significativamente reduzido ou mesmo que ele seja substituído como candidato. O prazo para o registro das candidaturas se encerra em 15 de agosto, o que ainda deixa espaço para mudanças.
Ramagem se Defende nas Redes Sociais
Em resposta às acusações, Ramagem foi ao X (antigo Twitter) para afirmar que a Polícia Federal está agindo para prejudicar sua pré-candidatura. Ele alegou que as informações divulgadas servem apenas para levar a “imprensa a ilações e rasas conjecturas”.
Operação Última Milha e Prisões
Em paralelo, a quarta fase da Operação Última Milha, conduzida pela PF, resultou na manutenção das prisões de cinco indivíduos ligados a um esquema de espionagem dentro da Abin, destinado a favorecer os filhos de Bolsonaro e monitorar ilegalmente ministros do STF e políticos opositores. Este grupo, conhecido como “Abin paralela”, é também suspeito de envolvimento com uma tentativa de golpe, incluindo a intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após as eleições de 2022.
Envolvidos na Operação Última Milha
Os presos — Mateus de Carvalho Spósito, Richards Pozzer, Marcelo Araújo Bormevet, Giancarlo Gomes Rodrigues e Rogério Beraldo de Almeida — passaram por audiências de custódia e permanecem sob custódia preventiva. As evidências colhidas, incluindo mensagens trocadas entre os presos em dezembro de 2022, são cruciais para os inquéritos das fake news, milícias digitais e atos antidemocráticos conduzidos pela PF.
A turbulência em torno da candidatura de Ramagem e as revelações de espionagem aumentam a tensão política e podem alterar significativamente o cenário eleitoral no Rio de Janeiro. Resta saber como os desdobramentos afetarão a corrida pela prefeitura carioca e a influência de Bolsonaro nas eleições.

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