Incêndios no Pantanal Atingem BR-262 e Aumentam Risco de Acidentes
As chamas dos incêndios que estão devastando o Pantanal chegaram à rodovia BR-262, em Mato Grosso do Sul, assustando motoristas e aumentando o risco de acidentes na região. Um vídeo feito pela empresária Beverlyn Andrade dos Reis, na tarde deste sábado (3), mostra o fogo alcançando o acostamento da estrada logo após a ponte sobre o rio Paraguai, em direção a Corumbá.
“Está terrível aquele pedaço. Nossa. Muito perigoso. Assustador. O carro esquentou todo e os caminhões vindo… tentando desviar do fogo acabam vindo na contramão”, relatou a empresária, que estava acompanhada do marido e dos dois filhos.
Destruição em Grande Escala
De acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ), os incêndios no Pantanal já destruíram, em 2024, 1,058 milhão de hectares. Essa área é quase do tamanho da Jamaica (1,099 milhão de hectares), abrangendo regiões de Mato Grosso do Sul (825,1 mil hectares) e Mato Grosso (232,9 mil hectares).
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registrou que, neste sábado, dos três municípios com o maior número de focos de calor no país, dois eram de Mato Grosso do Sul: Aquidauana, com 116 focos, e Corumbá, com 97. No Pantanal sul-mato-grossense, foram registrados 269 focos, totalizando 339 em todo o bioma.
Impacto Ambiental Devastador
O fogo consome o Pantanal há mais de três meses, deixando um rastro de devastação ambiental e morte de animais. Quase 1 milhão de hectares já foram destruídos, representando mais de 6% de todo o território pantaneiro. Na sexta-feira, 241 focos de calor estavam ativos em todo o Pantanal, sendo que 55% dos incêndios concentravam-se em Miranda e Aquidauana, cidades margeadas pelo rio Negro.
Segundo o Lasa-UFRJ, em 2024, cerca de 7% do bioma já foi afetado pelas queimadas. O Pantanal, que possui 16 milhões de hectares, enfrenta um cenário de destruição comparável ou pior ao de 2020, o pior ano para o bioma desde o final da década de 1990. Estimativas apontam que, em 2020, pelo menos 17 milhões de animais vertebrados morreram devido às queimadas.
Projeções para 2024
Pesquisadores do Lasa fizeram projeções matemáticas para o cenário de destruição em 2024, indicando que, ao mínimo, 3 milhões de hectares podem ser queimados neste ano. Desde o final de 2023 e início de 2024, a região apresenta o maior índice de “raridade de seca” já registrado desde 1951, superando 2020, considerado até então o pior ano em termos de secas.
O biólogo e especialista em conservação ambiental da ONG SOS Pantanal, Gustavo Figueirôa, explica que o modelo apresentado pelo Lasa considera o histórico de fogo no bioma desde 2001. Com base nos padrões de fogo ao longo dos anos e nas condições climáticas, os pesquisadores projetam um cenário preocupante para 2024.
Os incêndios no Pantanal são uma tragédia ambiental em curso, afetando não apenas a biodiversidade, mas também a segurança dos motoristas na BR-262. A situação demanda atenção urgente e ações efetivas para controlar as chamas e minimizar os danos a um dos biomas mais ricos e importantes do mundo.

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