Mpox: Navio de Carga em Quarentena na Argentina Após Saída do Brasil
As autoridades argentinas colocaram em quarentena um navio de carga que partiu de Santos, no litoral de São Paulo, com destino a Puerto San Lorenzo, na província de Santa Fé. A medida foi tomada após a suspeita de um caso de varíola dos macacos (Mpox) em um dos pilotos da embarcação. Segundo o governo argentino, tripulantes de origem indiana apresentaram lesões cutâneas que são compatíveis com os sintomas da doença, acionando assim o protocolo de emergência de saúde pública.
O navio, que navega sob bandeira da Libéria, está sendo monitorado de perto. Como parte do protocolo, as autoridades solicitaram a realização de um controle médico a bordo, abrangendo toda a tripulação, para avaliar a extensão potencial da infecção.
A Emergência Global de Mpox
A varíola dos macacos, agora denominada Mpox, foi declarada uma emergência global pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na última quarta-feira (14). Esta medida foi tomada após o aumento de casos em diversas regiões, incluindo um preocupante ressurgimento na África Central. Entre janeiro de 2022 e junho de 2024, a doença resultou em 209 mortes globalmente, com 99.176 casos confirmados em 116 países. O Brasil registrou 709 casos apenas em 2024, destacando a seriedade da situação.
A OMS decidiu emitir seu mais alto nível de alerta para a Mpox após uma reunião virtual que avaliou o risco de disseminação internacional. Essa é a primeira vez que a entidade emite tal alerta desde o fim da pandemia de Covid-19.
Mpox: Entendendo a Doença
A Mpox é uma doença viral zoonótica, ou seja, transmitida de animais para humanos. O contágio pode ocorrer através do contato com animais silvestres infectados, pessoas contaminadas pelo vírus ou materiais contaminados. Os principais sintomas incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados, febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fraqueza.
A Nova Cepa e Seus Riscos
Recentes dados da OMS indicam que a variante 1b da Mpox, que surgiu na África Central, apresenta uma taxa de letalidade superior a 10% entre crianças pequenas. Em comparação, a variante 2b, responsável pela epidemia global de 2022, tinha uma taxa de letalidade inferior a 1%.
O surto atual na República Democrática do Congo, ativo desde 2022, gerou uma mutação do vírus que preocupa especialistas. Vanderson Sampaio, pesquisador do Instituto Todos pela Saúde, alerta que, embora a nova cepa tenha maior potencial de transmissão, o método de contágio permanece o mesmo: contato com a pele de pessoas infectadas.
A transmissão predominante ocorre entre homens, mas há indícios de que a infecção em mulheres grávidas pode ter graves consequências para o feto, conforme destaca Rosamund Lewis, líder técnica do Programa de Emergências Globais da OMS para a Mpox.
Vacinas Contra Mpox: Situação Atual
Atualmente, existem três vacinas disponíveis globalmente para combater a Mpox, com duas delas recomendadas pela OMS. As vacinas ACAM2000, da Sanofi Pasteur, e Jynneos (também conhecida como Imvamune ou Imvanex), desenvolvida pela Bavarian Nordic, são as principais armas contra a doença. No Brasil, a vacina Jynneos foi aprovada pela Anvisa em 2023 e direcionada a grupos específicos, como pessoas imunossuprimidas, profissionais de laboratório que lidam diretamente com orthopoxvírus, e pessoas que tiveram contato próximo com casos suspeitos.
Mais de 29 mil doses da vacina foram administradas no Brasil até o momento. No entanto, a ministra da Saúde esclareceu que não há planos para uma vacinação em massa no país, embora estejam em negociação a aquisição emergencial de 25 mil doses adicionais.
Conclusão
A quarentena do navio de carga na Argentina ressalta a seriedade com que as autoridades tratam a propagação da Mpox. Com a situação sendo monitorada de perto e a OMS em alerta máximo, é crucial que medidas de prevenção e controle continuem sendo priorizadas para evitar a disseminação da doença. A vacinação, embora limitada, oferece uma proteção vital para grupos de risco, enquanto as autoridades continuam a acompanhar de perto a evolução da doença.

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