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Câncer de Mama: A Importância da Prevenção para Pessoas Trans

O câncer de mama é um dos tumores mais comuns, com uma estimativa de 73.610 novos casos anuais no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Embora a maioria dos casos ocorra em mulheres cisgênero, a população transgênero também deve estar atenta à prevenção e rastreio da doença. Isso inclui tanto mulheres trans, que podem ter maior risco devido ao uso de terapias hormonais feminilizantes, quanto homens trans que mantêm o tecido mamário. Entender os riscos, as recomendações para o rastreamento e as barreiras de acesso ao diagnóstico é essencial para que pessoas trans cuidem de sua saúde e previnam o câncer de mama.


Aumento do Risco de Câncer de Mama em Mulheres Trans

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Amsterdã, mulheres trans têm um risco de câncer de mama 46 vezes maior que homens cisgênero. Este aumento deve-se ao uso de estrogênios e antiandrogênicos durante a transição, explicou Sérgio Okano, sexologista e ginecologista. Apesar desse aumento relativo, o risco para mulheres trans ainda é menor que o observado em mulheres cis, representando cerca de 0,5% do risco de uma mulher cisgênero.

Essa diferença se explica pela menor exposição ao estrogênio ao longo da vida nas mulheres trans em comparação às mulheres cis. Ainda assim, mulheres trans que utilizam terapia hormonal por mais de cinco anos devem realizar exames de rastreamento regularmente, uma vez que o uso prolongado de hormônios aumenta o risco de tumores na mama.


Risco de Câncer de Mama em Homens Trans

Homens trans que não realizaram a cirurgia de mastectomia masculina (mamoplastia masculinizadora) também podem desenvolver câncer de mama e, por isso, devem realizar exames de rastreio, como mamografia. Já os homens trans que removeram as glândulas mamárias apresentam risco reduzido para o câncer de mama, embora o monitoramento ainda seja importante. Okano ressalta que faltam estudos conclusivos sobre a necessidade de rastreamento para homens trans que realizaram a mamoplastia, visto que a remoção do tecido mamário diminui substancialmente o risco de desenvolver a doença.

Para homens trans que mantêm o tecido mamário, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia a partir dos 50 anos, a cada dois anos, e a partir dos 40 anos para quem tem histórico familiar da doença. Já as sociedades médicas brasileiras orientam a realização anual a partir dos 40 anos.


Barreiras no Acesso à Prevenção e Diagnóstico

Um dos grandes desafios enfrentados pela população trans é a dificuldade no acesso aos serviços de saúde para o diagnóstico precoce do câncer de mama. A discriminação e o preconceito, muitas vezes, fazem com que essas pessoas evitem buscar acompanhamento médico, o que compromete a detecção precoce da doença.

A oncologista Abna Vieira destaca que essa falta de acesso pode ter impactos graves na saúde. “Mulheres trans devem fazer acompanhamento não apenas para o câncer de mama, mas também para a próstata. Homens trans precisam realizar exames como papanicolau e mamografia”, ressalta. Vieira explica que a ausência de um diagnóstico precoce torna o câncer uma condição potencialmente mais fatal, uma vez que o tratamento precoce oferece maiores chances de cura.

Ainda existem casos em que profissionais de saúde se recusam a atender pessoas trans para procedimentos como exames ginecológicos e de mama. Esses fatores, somados a uma alta incidência de tabagismo, obesidade e uso abusivo de álcool entre essa população, elevam ainda mais os riscos.


Recomendações de Rastreio e Prevenção para Pessoas Trans

Especialistas recomendam que pessoas trans sigam orientações específicas para o rastreio do câncer de mama:

  • Mulheres trans em terapia hormonal por mais de cinco anos: devem realizar exames anuais de mama, seguindo as orientações para mulheres cis.
  • Homens trans que não realizaram a mamoplastia masculinizadora: devem seguir o protocolo de rastreamento conforme recomendado para mulheres cis, com exames a partir dos 40 ou 50 anos, dependendo do histórico familiar.
  • Homens trans que realizaram a mamoplastia masculinizadora: podem ter risco reduzido e podem discutir com um profissional a necessidade de exames de rastreamento.

Vieira enfatiza que as mulheres trans devem estar cientes dos riscos aumentados devido ao uso de hormônios e que esse acompanhamento deve ser personalizado, garantindo que cada paciente receba o rastreamento adequado.


Uso Seguro de Hormônios e Medidas Gerais de Prevenção

Para reduzir o risco de câncer de mama, é fundamental que mulheres trans façam o uso de hormônios sob supervisão médica. Infelizmente, muitas começam tratamentos hormonais sem orientação profissional devido à falta de acesso. Sérgio Okano observa que 90% das mulheres trans já usaram algum tipo de hormônio ou contraceptivo em altas doses antes de serem acompanhadas por um especialista. O uso inadequado pode potencializar os riscos e dificultar a prevenção.

Além disso, recomenda-se que a população trans siga medidas de prevenção gerais para o câncer de mama, incluindo:

  • Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool;
  • Manter uma dieta balanceada e o peso saudável;
  • Realizar atividades físicas regulares.

Conclusão

A prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais para o enfrentamento do câncer de mama, especialmente na população trans, que enfrenta desafios únicos no acesso ao atendimento de saúde. A conscientização sobre os riscos e as medidas preventivas específicas para cada grupo são fundamentais para que a população trans tenha acesso a um cuidado médico completo e eficaz. É crucial que profissionais de saúde estejam capacitados para atender essas demandas e oferecer um acolhimento livre de preconceitos, assegurando a saúde e a qualidade de vida de todos os pacientes.

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