Caso Marielle Franco: Condenação de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz a Penas Extensas
O julgamento dos ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, acusados de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, foi concluído com sentenças significativas. Iniciado em 30 de outubro, o júri popular encerrou no dia seguinte, em 31 de outubro, com a juíza Lúcia Glioche proferindo a sentença. Lessa recebeu uma pena de 78 anos e 9 meses, enquanto Queiroz foi condenado a 59 anos e 8 meses de prisão. As penalidades refletem a gravidade do crime de duplo homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, única sobrevivente do atentado, que ocorreu em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro.
Detalhes da Sentença e Penalidades Adicionais
Além das penas de prisão, os réus foram condenados a pagar indenizações e pensões para as famílias das vítimas. Determina-se que ambos contribuam com pensão até a maioridade do filho de Anderson Gomes. Os condenados deverão arcar com R$ 706 mil por danos morais a cada uma das vítimas: Arthur, filho de Anderson; Ágatha Arnaus, viúva de Anderson; Luyara Franco, filha de Marielle; Mônica Benício, viúva de Marielle; e Marinete Silva, mãe de Marielle.
Argumentos do Ministério Público e Defesa
No segundo dia de julgamento, o promotor Eduardo Martins sustentou que Lessa visava eliminar todas as testemunhas do crime para evitar possíveis identificações. A promotoria apresentou evidências da intenção de “queima de arquivo” e trouxe imagens do veículo atacado. O histórico de buscas na internet de Lessa, que incluíam termos relacionados ao crime, foi exibido para reforçar a acusação.
As defesas dos acusados, apesar de admitirem a participação dos réus, pediram condenações “justas”, frisando uma responsabilidade menor de Élcio. A defesa destacou que Lessa planejou e executou o ataque, enquanto Queiroz atuou como motorista, com menor envolvimento na execução.
Declarações dos Réus e Testemunhas
Durante o julgamento, Lessa revelou em depoimento que foi motivado por uma promessa de R$ 25 milhões para realizar o assassinato. Élcio alegou desconhecer inicialmente o plano de homicídio, sendo informado apenas momentos antes do crime. Testemunhas, incluindo a sobrevivente Fernanda Chaves, descreveram o horror do atentado, com Chaves lembrando que Marielle não reagiu aos tiros.
Contexto e Investigação
O atentado, ocorrido em 2018, abalou o país e desencadeou investigações que levaram à prisão de Lessa e Queiroz em 2019. A motivação, de acordo com as investigações, envolvia disputas de poder entre milícias. Novos desdobramentos surgiram em 2024, com a prisão de três suspeitos de serem mandantes do crime.
O caso Marielle Franco é emblemático e levanta questões profundas sobre violência, poder paralelo e justiça. A sentença representa, segundo a juíza Glioche, uma reafirmação de que a justiça, embora lenta, alcança aqueles que se julgam acima dela.

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