MASP Encerra Ano Dedicado à Diversidade LGBTQIA+ com Mostra Internacional
O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) encerra 2024 com a exposição Histórias LGBTQIA+, coroando um ano dedicado às narrativas e produções artísticas dessa comunidade. A mostra, que será aberta ao público nesta sexta-feira (13/12), reúne mais de 150 obras de arte e centenas de documentos nacionais e internacionais, ocupando o 1º andar, mezanino e 2º subsolo do museu.
Com patrocínio master do Nubank, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a exposição apresenta um rico panorama artístico em oito núcleos temáticos: Amor e Desejo, Ícones e Musas, Espaços e Territórios, Ecossexualidades e Fantasias Transcendentais, Sagrado e Profano, Abstrações, Arquivos e Biblioteca Cuir.
Narrativas e Resistência Queer
A curadoria é assinada por Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Julia Bryan-Wilson, curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea, com apoio de André Mesquita, Leandro Muniz e Teo Teotonio. A mostra aborda questões históricas e contemporâneas ligadas às vivências LGBTQIA+, especialmente após a crise do HIV/AIDS nos anos 1980.
“O cenário global para pessoas queer e trans é marcado pela dualidade: ao mesmo tempo que há avanços na visibilidade, ainda enfrentamos repressões severas. ‘Histórias LGBTQIA+’ celebra a criatividade e as estratégias de resistência da comunidade nas artes visuais, dando voz a narrativas marginalizadas ao longo da história”, destacam Pedrosa e Bryan-Wilson.
A exposição combina obras que revisitam clássicos da arte com abordagens críticas contemporâneas. Exemplos incluem:
- “O beijo 20” (2024), da baiana Mayara Ferrão, que utiliza inteligência artificial para criar uma iconografia de histórias de lésbicas negras apagadas pela história.
- “Duas Fa’afafine” (2020), de Yuki Kihara, que desconstrói o exotismo presente nas pinturas de Paul Gauguin ao retratar pessoas trans da comunidade samoana.
- “Uma escultura para mulheres trans…” (2022), de Puppies Puppies (Jade Kuriki-Olivo), que utiliza bronze para escanear o próprio corpo, numa referência crítica ao cânone clássico da escultura.
Documentos Históricos e Reflexões Atuais
Além das obras, o núcleo Arquivos expõe documentos de coletivos LGBTQIA+ brasileiros, como MUTHA (Museu Transgênero de História e Arte) e o Arquivo Lésbico, além de materiais vindos de outros 12 países. Esses registros evidenciam a organização da comunidade em contextos de exclusão e resistência.
Outro destaque é a fotografia “Night Stage Raising Crew, Listening” (2006), de Angela Jimenez, que aborda as tensões internas da comunidade, como as políticas de exclusão de mulheres trans no Michigan Womyn’s Music Festival.
Acessibilidade e Publicações
Todas as exposições do MASP oferecem acessibilidade, incluindo visitas guiadas em Libras, textos em fonte ampliada e conteúdos audiovisuais acessíveis. No contexto da mostra, será lançada uma antologia organizada por Adriano Pedrosa, André Mesquita e Julia Bryan-Wilson. O livro reúne ensaios, entrevistas e relatos sobre políticas do corpo e inclusão social, com foco no Sul Global.
Histórias LGBTQIA+ no MASP
A exposição integra o ciclo anual de projetos do MASP dedicados ao tema “Histórias”, que já apresentou mostras como Histórias da Sexualidade (2017) e Histórias Indígenas (2023). Ao longo de 2024, o museu também exibiu trabalhos de artistas como Francis Bacon, Mário de Andrade, Leonilson, e os coletivos Gran Fury e Serigrafistas Queer.
Além disso, a MASP Loja lança uma linha de produtos exclusivos, como bolsas, cartazes e marca-páginas inspirados na exposição.
Serviço
Exposição: Histórias LGBTQIA+
Local: MASP, Avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP.
Período: 13/12/2024 a 13/04/2025
Horários:
- Terças: 10h às 20h (entrada gratuita e até 19h).
- Quarta a domingo: 10h às 18h (entrada até 17h).
- Fechado às segundas.
Ingressos:
- Entrada: R$ 70
- Meia-entrada: R$ 35
Agendamento online obrigatório: masp.org.br/ingressos
Já está disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


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