Dólar opera em alta e atinge R$ 6,17, mesmo após intervenção do BC; cenário fiscal e juros no radar
O dólar iniciou esta terça-feira (17) em forte alta, alcançando R$ 6,1522 às 10h20, um avanço de 0,95% em comparação ao fechamento da segunda-feira (16). Durante a manhã, a moeda norte-americana chegou à máxima de R$ 6,1736, mantendo o movimento de valorização mesmo após a intervenção do Banco Central (BC), que realizou um leilão de venda à vista para conter a escalada.
Na véspera, o dólar já havia subido 0,99%, encerrando o dia a R$ 6,0942 e registrando um novo recorde nominal (sem ajuste pela inflação). Esse avanço reflete o nervosismo do mercado com o cenário fiscal brasileiro e a política monetária, especialmente em relação ao pacote de corte de gastos proposto pelo governo.
Cenário fiscal e tensão no mercado
O avanço do dólar ocorre em meio à expectativa dos investidores pela votação do pacote de cortes de gastos enviado pelo governo ao Congresso. As medidas podem ser analisadas pela Câmara dos Deputados ainda nesta semana, última antes do recesso parlamentar. O governo estima uma economia de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos e um total de R$ 375 bilhões até 2030, com o objetivo de evitar o descontrole das contas públicas.
No entanto, as perspectivas do mercado sobre a sustentabilidade do pacote são negativas, o que aumenta a percepção de risco e impacta diretamente a taxa de câmbio. Para evitar a desidratação das propostas e garantir a aprovação, o governo prepara a liberação de R$ 800 milhões em emendas parlamentares, além dos R$ 7,6 bilhões já empenhados até a segunda-feira.
Intervenção do BC e Selic mais alta
Para tentar frear a alta da moeda, o Banco Central realizou mais um leilão de venda à vista nesta manhã, colocando US$ 1,272 bilhão no mercado a uma taxa de R$ 6,1005. Embora a intervenção tenha trazido um breve alívio, o movimento de alta logo foi retomado.
Além disso, a alta do dólar está atrelada à recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic em 1 ponto percentual, de 11,25% para 12,25% ao ano, com previsão de novas altas nas próximas reuniões. A expectativa é que a Selic alcance 14,25% ao ano no início de 2025.
Na ata divulgada nesta terça-feira, o BC destacou que a disparada do dólar e a percepção negativa do pacote fiscal impactam a inflação, justificando a necessidade de uma política monetária mais restritiva. O Copom alertou ainda que o repasse da desvalorização do real para os preços pode ser mais persistente devido à desancoragem das expectativas de inflação.
Desempenho do Ibovespa
Enquanto o dólar avança, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira (B3), abriu em leve alta de 0,09%, aos 123.673 pontos, às 10h20. Na segunda-feira, o índice recuou 0,84%, acumulando uma queda de 7,92% no ano.
Quadro fiscal e encontro entre Haddad e Lula
O cenário fiscal continua no radar do mercado. Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se recupera de uma cirurgia. Durante o encontro, Haddad enfatizou a importância de evitar a desidratação do pacote de cortes de gastos, reafirmando o compromisso com o arcabouço fiscal.
O ministro também discutiu com Lula as alterações feitas no texto da reforma tributária, como a exclusão do “imposto do pecado” sobre armas e as mudanças relacionadas às bebidas açucaradas. Segundo Haddad, o objetivo é que a reforma seja sancionada ainda este ano, após eventuais ajustes entre Senado e Câmara.
Expectativas e próximos passos
Com o dólar acumulando uma alta expressiva de 25,59% em 2024, o mercado segue atento aos desdobramentos do pacote fiscal e às próximas decisões do Banco Central. A combinação de riscos fiscais, expectativas de inflação desancoradas e aumento da taxa de juros mantém a pressão sobre o câmbio e a economia brasileira.
Para os próximos dias, a votação das medidas no Congresso e os sinais de novas intervenções do BC devem continuar influenciando o comportamento do dólar e dos demais indicadores econômicos.
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