Putin sobre ‘duelo’ de mísseis com os EUA: ‘Estamos prontos’
Em sua tradicional conferência de imprensa anual, realizada nesta quinta-feira (19), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, desafiou os Estados Unidos a um “duelo” bélico, destacando o poder do novo míssil balístico hipersônico Oreshnik. Segundo o líder russo, o armamento, utilizado pela primeira vez no ataque contra a cidade ucraniana de Dnipro em novembro, seria capaz de superar qualquer sistema de defesa antimísseis americano.
Ataque e Resposta no Contexto da Guerra na Ucrânia
Putin afirmou que o disparo do Oreshnik foi uma resposta direta ao uso de mísseis ATACMS, fornecidos pelos Estados Unidos, e Storm Shadows, de origem britânica, por forças ucranianas em ataques contra território russo. A permissão ocidental para tais ações foi interpretada por Moscou como um agravamento do conflito.
Durante a conferência, Putin rebateu ceticismos ocidentais sobre o alcance e a eficácia do Oreshnik, sugerindo que ambos os lados definam um alvo designado para demonstração de capacidade militar. “Estamos prontos”, afirmou, referindo-se à disposição de provar a superioridade do novo míssil russo.
Movimentações Militares e Tensão Global
Enquanto isso, o Ministério da Defesa da Rússia intensificou demonstrações de força. Em 18 de dezembro, dois bombardeiros estratégicos Tu-95MS realizaram exercícios militares próximos à costa do Alasca, sobrevoando mares do Ártico. O governo russo também divulgou vídeos de treinamentos no Mediterrâneo oriental, envolvendo disparos de mísseis hipersônicos, e exercícios na neve com soldados utilizando mísseis portáteis.
Além disso, o chefe do Estado-Maior russo, general Valery Gerasimov, acusou os EUA de fomentar uma nova corrida armamentista, destacando a instalação de forças americanas nas Filipinas e o aumento da presença militar na Europa como exemplos de ações provocativas. Ele reiterou que os Estados Unidos, ao fornecerem armamento de longo alcance para a Ucrânia, se tornaram participantes diretos no conflito.
Síria e Outros Pontos de Tensão
Putin também abordou a situação na Síria, reiterando que a Rússia não foi derrotada no país e que mantém diálogo com os novos governantes em Damasco sobre a permanência de bases militares russas. Ele afirmou que ainda pretende se encontrar com o ex-presidente sírio Bashar al-Assad, exilado na Rússia, para discutir, entre outros temas, o desaparecimento do jornalista americano Austin Tice.
Ecos da Guerra Fria
As declarações de Putin e Gerasimov ressaltam a deterioração das relações entre Rússia e Ocidente. Gerasimov lamentou o fim da confiança mútua em acordos de controle de armas, marcando um retorno a uma postura de confronto reminiscentes da Guerra Fria. Para o general, a escalada militar dos EUA na Ásia e Europa contribui para um ambiente global instável, com impactos diretos na segurança estratégica.
As tensões seguem em alta, com desdobramentos que podem redefinir o equilíbrio de poder global nos próximos meses. A resposta americana ao desafio de Putin e às ações militares russas permanece uma incógnita, mas deve moldar o cenário geopolítico nos próximos anos.
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