Estudo destaca potencial da articulação entre favelas, instituições científicas e saúde pública
Estudo destaca potencial da articulação entre favelas, instituições científicas e saúde pública
A integração entre comunidades, instituições científicas e serviços de saúde pública foi considerada essencial no enfrentamento da pandemia de Covid-19 no Rio de Janeiro, conforme pesquisa realizada por especialistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio). O estudo analisou 90 projetos do Plano Integrado de Saúde nas Favelas da Fiocruz e foi apresentado no evento “Saúde na Favela é Construção Coletiva”, realizado na Tenda da Ciência, em referência ao Dia Estadual de Saúde nas Favelas.
O encontro reuniu 250 lideranças de 33 cidades para discutir desafios e soluções para a saúde pública nas comunidades. As iniciativas do Plano, implementadas em colaboração com instituições acadêmicas, unidades de saúde e organizações sociais, impactaram 625 mil pessoas. Entre as ações promovidas, destacam-se a distribuição de 755 toneladas de alimentos, a criação de cozinhas comunitárias e a oferta de cursos de formação para jovens comunicadores.
Inovação e impacto social
A vice-presidente da Fiocruz, Lourdes Aguiar, ressaltou a importância da abordagem integrada do Plano: “Essa pesquisa destaca o caráter inovador de reunir instituições acadêmicas e de saúde pública em um esforço conjunto com a comunidade. Essa colaboração impulsiona o desenvolvimento de tecnologias sociais que podem ser aplicadas em outros territórios no Brasil e até internacionalmente.”
Segundo o levantamento, metade dos projetos analisados tem atuação em uma única favela, enquanto os demais abrangem múltiplos territórios. A professora Luciana Correa do Lago, da UFRJ, enfatizou a relevância do intercâmbio entre organizações sociais: “A articulação institucional e territorial foi fundamental para o sucesso do projeto. A troca de conhecimento e a confiança construídas são essenciais para fortalecer o poder popular nas favelas.”
Liderança feminina na resposta pós-pandemia
Outro destaque do estudo foi a força coletiva das mulheres na coordenação das respostas comunitárias pós-pandemia. Cerca de 80% dos projetos foram liderados por mulheres, refletindo a centralidade feminina na organização da saúde comunitária. O professor Pedro Cláudio Cunca Bocayuva, da UFRJ, observou que “as mulheres estiveram na linha de frente, articulando respostas rápidas e eficientes dentro das comunidades, conectadas ao sistema de saúde e educação.”
Investimentos e expansão das iniciativas
A deputada estadual Renata Souza elogiou os resultados do Plano Integrado e anunciou a intenção de destinar novos recursos para ampliação das ações de saúde nas favelas, consolidando a estratégia interinstitucional.
Mobilização contra a dengue
No Dia Estadual de Saúde nas Favelas, também foram promovidas mais de 25 atividades focadas no enfrentamento à dengue em diversas cidades, incluindo Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu e Duque de Caxias. As atividades incluíram palestras, rodas de conversa e ações educativas.
Richarlls Martins, coordenador executivo do Plano, destacou a relevância dessas iniciativas para a equidade em saúde: “As favelas brasileiras possuem um déficit significativo de equipamentos de saúde em relação à média nacional. Fortalecer a articulação entre comunidades e instituições é essencial para garantir um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo.”
O evento reuniu lideranças comunitárias, parlamentares, representantes de instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil, reafirmando o compromisso coletivo com a melhoria da saúde nas favelas.
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Boa matéria