Por que o governo Trump quer os minerais raros da Ucrânia?
Por que o governo Trump quer os minerais raros da Ucrânia?
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chega a Washington nesta sexta-feira (28) para negociar um acordo estratégico com os Estados Unidos. O pacto prevê ajuda militar americana em troca do fornecimento de terras-raras, minerais essenciais para diversas indústrias tecnológicas. Entretanto, muitos desses depósitos estão localizados em territórios ocupados pela Rússia, o que torna essa negociação ainda mais complexa.
O que são os minerais de terras raras?
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos cruciais para a produção de tecnologia moderna, incluindo smartphones, computadores, equipamentos médicos, satélites e até armamentos militares. Esses minerais incluem:
- Escândio (Sc), Ítrio (Y), Lantânio (La), Cério (Ce), Praseodímio (Pr), Neodímio (Nd), Promécio (Pm), Samário (Sm), Európio (Eu), Gadolínio (Gd), Térbio (Tb), Disprósio (Dy), Hólmio (Ho), Érbio (Er), Túlio (Tm), Itérbio (Yb) e Lutécio (Lu).
Apesar do nome, esses minerais não são necessariamente raros, mas são encontrados misturados a elementos radioativos, como tório e urânio, tornando o processo de extração complexo e custoso.
A riqueza mineral da Ucrânia
A Ucrânia possui 21 das 30 substâncias consideradas essenciais pela União Europeia, representando cerca de 5% das reservas mundiais. Grande parte desses depósitos está no sul do Escudo Cristalino Ucraniano, principalmente sob o Mar de Azov, em áreas atualmente sob controle russo. No entanto, existem locais promissores ainda sob controle ucraniano, como na região do rio Bug, Kiev, Vinítsia e Jitomir.
Especialistas alertam que, embora centenas de locais geológicos tenham sido mapeados, apenas alguns são economicamente viáveis para extração em larga escala. Além das terras raras, a Ucrânia também possui reservas significativas de lítio, estimadas em 450 mil toneladas, um mineral crítico para baterias e veículos elétricos.
A disputa geopolítica e o interesse dos EUA
Os Estados Unidos veem a obtenção desses recursos como uma questão estratégica, especialmente diante da crescente dependência global da China para o fornecimento de terras-raras e minerais críticos. Atualmente, a China controla cerca de 60% a 70% da produção mundial de terras raras e quase 90% da capacidade global de processamento.
O governo Trump busca reduzir essa dependência e fortalecer a segurança nacional dos EUA ao garantir acesso a esses minerais em territórios aliados, como a Ucrânia. Além disso, esses recursos são essenciais para a infraestrutura de inteligência artificial e para a expansão da tecnologia militar americana.
O impacto da guerra e o futuro das terras raras
A ocupação russa de regiões ricas em minerais estratégicos complica a extração e exportação desses materiais pela Ucrânia. Enquanto isso, a crescente competição entre China e EUA pelo controle da cadeia global de suprimentos reforça a importância de territórios ricos em recursos como a Ucrânia e até mesmo a Groenlândia.
A negociação entre Trump e Zelensky pode redefinir a geopolítica dos minerais raros e impactar diretamente a economia global, a transição para energias limpas e o avanço da tecnologia militar. O desfecho desse acordo pode alterar a dinâmica do conflito entre Ucrânia e Rússia e influenciar diretamente o futuro do mercado global de minerais estratégicos.
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