Organizações de favela promovem temas da saúde durante o Carnaval
Organizações de favela promovem temas da saúde durante o Carnaval
O Carnaval é uma das festas mais esperadas do ano, movimentando multidões e enchendo as ruas de alegria e cultura. Mas, para algumas organizações comunitárias, a folia também é um momento estratégico para promover a saúde entre os foliões das favelas do Rio de Janeiro. Como parte do Plano Integrado de Saúde nas Favelas do Rio de Janeiro da Fiocruz, grupos sociais transformam blocos carnavalescos em palcos de conscientização, prevenção e atendimento em saúde pública.
Carnaval com propósito: prevenção e conscientização
Na Favela da Rocinha, maior comunidade do Brasil segundo o Censo 2022 do IBGE, o bloco Foliões da Saúde coloriu a Estrada da Gávea na última quinta-feira (27/2). Organizado pelo coletivo Tamo Junto Rocinha e diversas instituições de saúde locais, o evento trouxe informações sobre prevenção de doenças, distribuição de preservativos e incentivo à vacinação. Para Denis Neves, coordenador do coletivo, o Carnaval é uma excelente oportunidade para reforçar campanhas essenciais, como a imunização contra a dengue, que enfrenta baixa adesão.
“Já tivemos sucesso em aumentar a vacinação de crianças na Rocinha com campanhas anteriores. Desta vez, resolvemos usar o Carnaval para unir forças e impulsionar a vacinação da dengue”, destacou Neves.
Saúde mental em pauta na folia
Em Niterói, o bloco Loucos pela Vida, formado por usuários e colaboradores da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), levou às ruas o enredo “Cata Lata, Cata Sonhos – O Ambiente Vem Gritar: No Esquenta e Esfria, Nosso Bloco Vai Passar”. A temática abordou questões ambientais e socioeconômicas, como reciclagem e mudanças climáticas, em uma reflexão sobre o impacto dessas questões nas populações periféricas. Segundo o coordenador Leonardo Salo, o bloco se tornou um espaço de conscientização e celebração da luta antimanicomial.
“O Carnaval é um momento oportuno para levantar pautas importantes de forma descontraída e fazer a comunidade refletir”, afirmou Salo.
Sexo, amor e prevenção
Na Vila Mimosa, a Associação de Moradores e Amigos da região organizou o Bloco da Zona do Mangue, focado na prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Além da distribuição de preservativos, a ação ofereceu testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites, além de reforçar a vacinação contra a dengue. Para Cleide Almeida, assistente social da associação, o evento é essencial para alcançar um público que muitas vezes tem dificuldades de acesso à saúde.
“O Carnaval facilita o diálogo e permite que as mensagens cheguem de forma leve e eficaz”, afirmou.
Cultura e saúde: uma relação essencial
Para Richarlls Martins, coordenador executivo do Plano Integrado de Saúde nas Favelas, o Carnaval é um momento ideal para integrar cultura e saúde pública.
“O Carnaval é uma data especial para ampliar o debate sobre saúde. As favelas são territórios de resistência e história, e suas organizações sociais têm mostrado capacidade de alavancar pautas essenciais durante a festa”, destacou Martins.
As iniciativas promovidas durante o Carnaval demonstram que a prevenção e a promoção da saúde podem ser associadas à cultura e à arte, fortalecendo o vínculo das comunidades com o cuidado coletivo. Dessa forma, a folia se torna também um espaço de informação e bem-estar para todos.
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