Carnaval RJ: Fé e despedida de Neguinho da Beija-Flor marcam 2ª noite
Carnaval RJ: Fé e despedida de Neguinho da Beija-Flor marcam 2ª noite
O Linkezine acompanhou de perto a segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, que aconteceu nesta segunda-feira (3), na Marquês de Sapucaí. Foi uma noite de emoção, fé e despedidas marcantes, com os desfiles de Unidos da Tijuca, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro e Unidos de Vila Isabel. Cada escola brilhou com enredos que tocaram o coração do público, mas o momento mais emblemático foi a despedida de Neguinho da Beija-Flor, encerrando um ciclo de 50 anos como a voz oficial da escola.
Unidos da Tijuca: espiritualidade e inovação
A Unidos da Tijuca levou para a avenida o tema “Logun-Edé: Santo Menino Que Velho Respeita”, contando a história do orixá que carrega em si a dualidade entre a força masculina e a suavidade feminina. A grandiosidade do desfile impressionou com uma escultura de Oxum de 12 metros de altura e componentes pedalando em carros alegóricos – uma novidade que encantou os espectadores.
Sem uma rainha de bateria, a escola homenageou a cantora Lexa, que vive um momento de luto após a perda de sua filha. A ausência foi um gesto de respeito e solidariedade, mostrando que o Carnaval também é feito de emoção e humanidade.
Beija-Flor de Nilópolis: um adeus histórico
A Sapucaí se curvou diante de um dos maiores nomes do samba: Neguinho da Beija-Flor. Aos 75 anos, ele fez seu penúltimo desfile como a voz da Beija-Flor e foi ovacionado pelo público em um momento que entrou para a história do Carnaval.
O enredo da escola foi uma homenagem ao diretor de Carnaval Laíla, trazendo uma narrativa que misturou fé, devoção a Xangô e a trajetória do icônico carnavalesco. No fim, o desfile proporcionou um reencontro simbólico entre Laíla e Joãosinho Trinta no plano espiritual, emocionando a Sapucaí.
Acadêmicos do Salgueiro: proteção e axé na avenida
O Salgueiro trouxe um enredo de forte cunho espiritual com “Salgueiro de Corpo Fechado”, apostando na fé e na proteção para brilhar na avenida. As tradicionais baianas fizeram questão de benzê-la do início ao fim do desfile, reforçando a ligação da escola com suas raízes afro-brasileiras.
Uma curiosidade chamou atenção: o mestre-sala e a porta-bandeira, Sidclei Santos e Marcella Alves, atravessaram a Sapucaí duas vezes. Segundo a agremiação, essa decisão foi tomada após uma consulta espiritual com a entidade Zé Pilintra, trazendo ainda mais misticismo para o desfile.
Unidos de Vila Isabel: entre assombrações e contratempos
A Vila Isabel encerrou a segunda noite de desfiles com um enredo irreverente: “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”. A escola brincou com o misticismo e os medos populares, trazendo efeitos visuais impressionantes para representar figuras como almas penadas e assombrações da cultura popular.
Porém, nem tudo saiu como o planejado. Um drone que carregava uma abóbora caiu durante o desfile, e um dos carros apresentou problemas técnicos, comprometendo a evolução da escola. Ainda assim, a energia e a criatividade marcaram o desfile da agremiação.
O que vem por aí
O Carnaval do Rio ainda promete grandes emoções. Na terceira noite de desfiles, é a vez de Mocidade Independente de Padre Miguel, Paraíso do Tuiuti, Acadêmicos do Grande Rio e Portela encantarem o público.
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