Bolsa Família reduz risco de internações por uso de álcool e drogas, aponta estudo
Pesquisa revela que beneficiários do programa apresentam menor índice de hospitalizações ligadas a transtornos por substâncias
Um estudo inovador do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), em parceria com a Universidade de Harvard, revelou que o Bolsa Família pode ser um importante aliado na redução das internações hospitalares por transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Publicado no prestigiado periódico The Lancet Global Health, o estudo aponta que beneficiários do programa apresentaram um risco 17% menor de internação por esses transtornos em comparação aos não-beneficiários.
A pesquisa ainda detalha os impactos diferenciados por tipo de substância. Entre os beneficiários do Bolsa Família, o risco de internações por uso de álcool foi 26% menor, enquanto o risco relacionado a outras substâncias, exceto álcool, foi 11% menor. Os dados reforçam a importância de políticas públicas que vão além da saúde e abordam questões sociais e econômicas.
O impacto do Bolsa Família na saúde mental
Criado em 2003, o Bolsa Família busca reduzir a pobreza por meio da transferência de renda, condicionada ao cumprimento de compromissos na área de saúde e educação. Segundo Lidiane Toledo, pesquisadora do Cidacs e coautora do estudo, essa redução do risco de internação pode estar ligada ao alívio do estresse financeiro e ao maior acesso aos serviços básicos.
“O estresse financeiro, gerado pela incerteza sobre como garantir as necessidades básicas, afeta a qualidade de vida e piora a saúde mental. Com isso, programas de transferência de renda podem contribuir significativamente para o bem-estar da população”, explica Toledo.
Desigualdade e vulnerabilidade social
Outro aspecto analisado pelo estudo foi a relação entre o nível socioeconômico das áreas residenciais e as hospitalizações. Utilizando o Índice Brasileiro de Privação (IBP-Cidacs), os pesquisadores identificaram que o Bolsa Família teve impacto positivo em todos os níveis de privação material. Nos municípios mais vulneráveis, os beneficiários tiveram um risco 41% menor de internação por uso de substâncias em comparação aos não-beneficiários.
Para os especialistas, os resultados indicam que a assistência financeira atrelada a políticas sociais pode ser uma estratégia essencial para reduzir desigualdades e evitar a progressão de transtornos relacionados ao uso de substâncias. “Não podemos esperar que alguém busque e mantenha um tratamento de saúde sem saber se terá o que comer”, alerta Toledo.
Com base nas conclusões do estudo, a recomendação é que profissionais da Atenção Primária e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) encaminhem pessoas vulneráveis para programas de proteção social como parte do tratamento. A pesquisa analisou mais de 35 milhões de registros entre 2008 e 2015, cruzando dados do Bolsa Família e do Sistema de Informações Hospitalares (SIH).
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