Fiocruz e FCT Revelam 25 Novos Impactos da Exploração do Pré-Sal
Fiocruz e FCT Revelam 25 Novos Impactos da Exploração do Pré-Sal
A exploração do Pré-Sal trouxe consequências além das previsões iniciais. Fiocruz e o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) identificaram 25 novos impactos que não haviam sido considerados no licenciamento ambiental. O estudo, conduzido pelo Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), aponta prejuízos ambientais, socioeconômicos e à saúde mental das comunidades costeiras, afetando pescadores e populações tradicionais.
Impactos Invisíveis e a Vida nas Comunidades
A exploração do petróleo altera profundamente a rotina e o bem-estar das comunidades litorâneas. O relato de um pescador do litoral Sul do Rio de Janeiro ilustra essa realidade: “Os peixes estão sumindo, os pescadores já saem preocupados, e isso abala nossa saúde. À noite, não consigo dormir, o que atrapalha muito o nosso dia a dia.”
Além das mudanças visíveis no meio ambiente, o estudo identificou danos subjetivos, como o aumento da insônia, ansiedade e impactos psicossociais. Para abordar essas questões, o relatório apresenta 14 recomendações para fortalecer o licenciamento ambiental e garantir medidas compensatórias mais eficazes.
O Pré-Sal e Seus Efeitos Expandidos
Com uma extensão de 800 km e largura de 200 km, o Pré-Sal ocupa uma área maior que três estados do Rio de Janeiro. Nos últimos 18 anos, sua exploração passou por três etapas, e a quarta, atualmente em processo de licenciamento pelo Ibama, prevê a perfuração de 152 novos poços. Com 25 anos de operação previstos, a produção diária estimada é de 123 mil m³ de petróleo e 75 milhões de m³ de gás natural.
Marcela Cananéa, coordenadora de Justiça Socioambiental do OTSS, defende que o licenciamento deve levar em conta as necessidades das comunidades afetadas: “Do que os territórios precisam? Saneamento, educação, formação? Há diversas possibilidades de condicionantes que precisam ser discutidas.”
Cinco Novas Categorias de Impacto
O estudo da Fiocruz e do FCT propôs cinco novas categorias de impacto ainda não consideradas nos documentos oficiais:
- Culturais – Alterações nas tradições e no modo de vida das comunidades.
- Econômicos e Bem-estar Material – Redução da pesca e dificuldades financeiras.
- Institucionais, Legais e Políticos – Desafios na proteção de direitos comunitários.
- Qualidade do Meio Ambiente e Bem-Viver – Impacto na relação das comunidades com seus territórios.
- Saúde e Bem-estar – Aumento de doenças físicas e mentais.
Lara Bueno Chiarelli Legaspe, bióloga do OTSS, destaca que a revisão do EIA pelo Ibama já inclui impactos de navios aliviadores, um avanço que pode abrir espaço para a consideração de outras recomendações do estudo.
O Papel das Comunidades na Defesa do Território
O relatório ressalta a importância de integrar as comunidades ao processo de licenciamento, garantindo que suas vozes sejam ouvidas. “Precisamos mostrar os impactos com dados científicos organizados para pautar o empreendedor e deixar claro que precisamos de reparação”, reforça Vagner do Nascimento, coordenador geral do OTSS.
disponível para venda na Amazon: https://a.co/d/0gDgs0S


Deixe uma resposta