‘Violência tem que ser rechaçada’, diz diretor sobre brutalidade masculina em Oeste Outra Vez
‘Violência tem que ser rechaçada’, diz diretor sobre brutalidade masculina em Oeste Outra Vez
Vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Gramado em 2024, Oeste Outra Vez, dirigido por Erico Rassi, estreia nos cinemas trazendo uma releitura ousada do faroeste brasileiro. Com um olhar crítico sobre a violência e a masculinidade, o longa questiona o ciclo de brutalidade que marca a vida de seus personagens e propõe uma reflexão sobre o machismo estrutural na sociedade.
Um Faroeste Brasileiro Que Vai Além da Violência
Estrelado por Ângelo Antônio (Justiça) e Babu Santana (O Jogo que Mudou a História), o filme aborda a solidão e a incapacidade dos homens de lidarem com suas emoções. Os personagens são marcados por frustrações e abandonos, que os levam a descontar sua raiva uns nos outros.
Diferente de clássicos do gênero como Os Brutos Também Amam (1953) e Rastros de Ódio (1956), que frequentemente romantizam a violência e a dominação masculina, Oeste Outra Vez subverte essa narrativa. O filme mostra que esses personagens são, na verdade, homens que não merecem as mulheres que desejam. “A violência tem que ser rechaçada. As mulheres preferem não fazer parte daquele lugar”, declarou Rassi em entrevista.
A Construção dos Personagens e a Pesquisa de Rassi
Para dar vida aos personagens, o diretor mergulhou no interior de Goiás, entrevistando pessoas e se inspirando em referências literárias brasileiras, como Eugênio Carvalho Ramos, Jorge Amado e João Baptista. “Quis criar uma atmosfera que refletisse a masculinidade tóxica e suas consequências”, explica Rassi. O diretor também realizou uma pesquisa iconográfica no IMS, analisando registros fotográficos do sertão brasileiro para compor a estética do filme.
A localização também teve papel fundamental na direção de arte. Algumas cenas, como um tiroteio ao entardecer, foram concebidas especificamente para os platôs naturais onde foram gravadas.
Trilha Sonora e Narrativa
A trilha sonora do filme tem um papel crucial. Além das composições originais de Guilherme Garbato (A Vida Invisível), o longa traz canções icônicas do brega brasileiro, como Boate Azul, Tudo Passará e Eu Também Sou Sentimental, de Nelson Ned. “Essas músicas criam um contraponto entre a brutalidade e a melancolia dos personagens”, comenta Rassi.
Premiação e Expectativa para o Cinema Nacional
Filmado em 2019 em São João da Aliança e na Chapada dos Veadeiros, o longa chega às telonas em um momento de renovação do cinema nacional. Rassi acredita que sucessos como Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, impulsionam a visibilidade de produções brasileiras. Oeste Outra Vez já se destacou no Festival de Gramado, levando os prêmios de Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Ator Coadjuvante para Rodger Rogério (Bacurau).
“Nosso cinema é muito rico, muito diverso e fazemos filmes com qualidade impressionante. Só faltava um empurrãozinho”, diz o diretor.
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