Prefeito de Belém cobra apoio internacional para preservação da Amazônia na COP30
Prefeito de Belém cobra apoio internacional para preservação da Amazônia na COP30
A preservação da Amazônia é um tema global, mas a falta de investimentos concretos por parte da comunidade internacional ainda gera indignação. O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), reforçou essa cobrança durante o seminário “COP30 Amazônia”, realizado na última quinta-feira. Em sua fala, destacou a incoerência de atores internacionais que discutem a Amazônia de gabinetes na Europa, mas não investem em soluções reais para a população local.
Normando frisou a necessidade de resultados concretos na COP30, que será realizada em Belém, alertando que o Brasil e o mundo estão cansados de discursos vazios. Para ele, a maior visibilidade da capital paraense com o evento é um avanço, mas de nada adiantará sem investimentos diretos na melhoria de vida das comunidades amazônicas.
Realidade socioeconômica e desafios da preservação
O prefeito também ressaltou que, apesar do compromisso ambiental, a população de Belém enfrenta desafios mais urgentes, como habitação precária e fome. Segundo Normando, “quem está com fome não pensa em mudanças climáticas”.
Ele defendeu a necessidade de assistência ao pequeno produtor para permitir a adoção de práticas sustentáveis sem comprometer sua fonte de renda. E reforçou que é preciso que o capital estrangeiro que discute o futuro da Amazônia também financie soluções sustentáveis para a região.
Adaptação climática e bioeconomia
A adaptação climática foi um dos principais temas do painel, com especialistas enfatizando a necessidade de investimentos na infraestrutura das cidades amazônicas para resistir a eventos climáticos extremos. A diretora programática do Instituto Clima e Sociedade (ICS), Thaís Ferraz, alertou que os investimentos globais ainda são insuficientes, com apenas US$ 300 bilhões comprometidos diante de uma necessidade estimada em US$ 1,3 trilhão.
Normando também defendeu Belém como referência global em bioeconomia, destacando que a cidade pode liderar um novo modelo de desenvolvimento para a região. Entretanto, ele ressaltou que as soluções sustentáveis precisam ser economicamente viáveis para que os governantes possam adotá-las em larga escala.
Restauração florestal e emprego
A meta brasileira de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030 pode gerar 2,5 milhões de empregos, segundo estudos apresentados no seminário. Contudo, especialistas alertam que a execução desse plano ainda enfrenta entraves, incluindo a necessidade de maior financiamento internacional.
A pesquisadora Mercedes Bustamante destacou que a adaptação das técnicas de restauração para diferentes biomas será fundamental, pois as mudanças climáticas tornam o processo mais desafiador. A especialista Ima Vieira reforçou que o cumprimento do Código Florestal já garantiria boa parte da meta de restauração, mas que a falta de convergência entre políticas estaduais e federais impede avanços mais rápidos.
A fala contundente do prefeito de Belém reflete um ponto de tensão entre a visibilidade internacional da Amazônia e a falta de investimentos efetivos na região. A COP30 será um teste crucial para medir o real compromisso global com a preservação e o desenvolvimento sustentável da maior floresta tropical do mundo.
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