Canadenses evitam os EUA: tensão política leva a boicote silencioso nas fronteiras
Canadenses evitam os EUA: tensão política leva a boicote silencioso nas fronteiras
Com medo, indignação e incerteza, muitos canadenses estão dizendo “não, obrigado” aos EUA — e a queda nas viagens revela o tamanho do desconforto.
Durante décadas, cruzar a fronteira sul foi quase um ritual para milhões de canadenses — seja para compras, férias ou visitas rápidas. Mas em 2025, o cenário mudou drasticamente. A retórica agressiva de Donald Trump, aliada a medidas diplomáticas tensas e até incidentes pessoais, despertou uma onda crescente de rejeição entre os vizinhos do norte.
Tudo começou com ameaças de anexação e discursos inflamados sobre tornar o Canadá o “51º Estado americano” — uma provocação que muitos viram como desrespeitosa. Em seguida, vieram as tarifas sobre produtos canadenses, impondo barreiras econômicas que feriram a confiança de uma aliança historicamente sólida. O estopim? O caso de uma mulher canadense detida pelo ICE em território americano, que relatou condições degradantes e um tratamento considerado desumano.
Essa sucessão de fatos fez nascer um movimento espontâneo: boicotar os Estados Unidos — começando por evitar viagens.
📉 Dados que falam por si
De acordo com a Statistics Canada, houve uma queda de 23% nas viagens de carro de canadenses aos EUA em fevereiro de 2025, em relação ao mesmo período de 2024. As viagens aéreas também recuaram, com uma baixa de 13%.
A jornalista Kate Dingwall, que mora em Toronto, ilustra esse sentimento coletivo:
“Meu parceiro e eu cancelamos nossas férias nos EUA. Sinto um mal-estar ao atravessar a fronteira, principalmente com o clima político tão hostil. Não vale o risco nem o estresse”, afirma.
Esse tipo de relato tem se tornado comum nas redes sociais, onde hashtags como #BoycottUSA e #CanadaStrong ganharam força entre aqueles que preferem explorar destinos internos ou países mais acolhedores.
🤝 De aliados a estranhos?
A relação entre Canadá e Estados Unidos sempre foi baseada em uma parceria pragmática. Mas 2025 escancarou uma fragilidade nessa convivência, especialmente quando líderes políticos adotam posturas que flertam com a intimidação.
Para muitos canadenses, o turismo virou uma forma de protesto silencioso. Deixar de gastar dólares em um país que os trata como adversários tornou-se uma maneira de responder à altura — e com consciência.
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