Bolsonaro lidera ato na Paulista por anistia a golpistas de 8 de janeiro e desafia instituições
Bolsonaro lidera ato na Paulista por anistia a golpistas de 8 de janeiro e desafia instituições
Com discursos inflamados, presença de sete governadores e quase 45 mil pessoas, a manifestação reforçou o apoio do ex-presidente aos condenados pelos atos antidemocráticos.
Um pedido coletivo por perdão e um grito contra o STF
Em um domingo de céu claro e tensão política, a Avenida Paulista virou palco de uma manifestação que escancarou o apoio de Jair Bolsonaro (PL) aos envolvidos no 8 de janeiro — data que marcou o maior ataque às instituições democráticas desde a redemocratização. O ex-presidente convocou e liderou o ato, que reuniu aproximadamente 44,9 mil pessoas, segundo levantamento da USP e parceiros.
A principal pauta era a anistia aos condenados pelos ataques, e o protesto contou com a presença de sete governadores, entre eles Tarcísio de Freitas (SP) e Romeu Zema (MG), além de parlamentares e figuras de peso no bolsonarismo, como Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
Logo no início, uma oração puxada pela deputada Priscila Costa (PL-CE) abriu os trabalhos. Em seguida, vieram os discursos. Entre críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal e apelos pela aprovação de um projeto de lei que conceda anistia, o tom foi de enfrentamento.
Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal, chamou os ministros do STF de “ditadores de toga”, e Bolsonaro seguiu no mesmo tom: “Se estivesse no Brasil no dia 8 de janeiro, estaria preso ou até assassinado”, declarou, insinuando que sua ida aos Estados Unidos no fim de 2022 o salvou de um destino trágico.
Articulações e apostas externas
O ex-presidente também afirmou ter esperança em apoios internacionais. Mencionou o filho, Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, como uma ponte com figuras globais — sem citar nomes, mas sugerindo proximidade com Donald Trump.
Bolsonaro ainda se defendeu da sua inelegibilidade até 2030, criticando a Justiça Eleitoral por considerá-lo culpado por usar reunião com embaixadores de forma eleitoral. “Eleições sem mim são a negação da democracia”, disse, reafirmando sua disposição para retornar à disputa.
Reação pública: maioria rejeita anistia
Apesar do tamanho do ato, a sociedade brasileira não parece alinhada à proposta. Pesquisa Quaest, divulgada no mesmo dia do protesto, revela que 56% dos brasileiros são contra a anistia aos envolvidos no 8 de janeiro. Apenas 34% apoiam, e 10% não souberam opinar.
A manifestação, embora expressiva em número, parece ir na contramão da opinião pública majoritária. Ainda assim, mostra que Bolsonaro mantém forte capital político e capacidade de mobilização, mesmo fora das urnas.
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