Putin anuncia “trégua de Páscoa” na guerra contra a Ucrânia, mas mantém alerta militar
Putin anuncia “trégua de Páscoa” na guerra contra a Ucrânia, mas mantém alerta militar
Em um movimento simbólico em meio ao prolongado conflito no Leste Europeu, o presidente russo Vladimir Putin anunciou neste sábado (19) uma trégua temporária na guerra contra a Ucrânia, em razão das celebrações da Páscoa Ortodoxa. O cessar-fogo deverá durar 30 horas, começando às 18h do sábado (horário local) e indo até a meia-noite de domingo para segunda-feira.
Putin classificou a trégua como uma “medida humanitária”, alegando que todas as operações militares russas serão pausadas nesse período. No entanto, deixou claro que as tropas devem se manter em estado de prontidão para reagir a qualquer ação ucraniana. “Nossas forças devem estar preparadas para responder de forma imediata e decisiva”, alertou o presidente russo, acusando Kiev de já ter violado acordos semelhantes anteriormente.
A resposta do governo ucraniano foi rápida. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que drones russos sobrevoaram o território da Ucrânia menos de uma hora antes do início do cessar-fogo, o que, segundo ele, revela a incoerência da proposta russa. “Drones em nossos céus revelam a verdadeira atitude de Putin em relação à Páscoa e à vida humana”, escreveu Zelensky na rede social X.
Apesar da tensão, o dia também foi marcado por um acordo bilateral de troca de prisioneiros. Foram devolvidos 246 militares de cada lado, além da liberação de prisioneiros feridos que necessitavam de cuidados médicos urgentes. Zelensky celebrou o retorno dos combatentes ucranianos: “Nosso povo está em casa — uma das melhores notícias possíveis.”
O anúncio da trégua vem em um momento em que as negociações diplomáticas continuam estagnadas. Os Estados Unidos, por meio do presidente Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio, sinalizaram que podem abandonar os esforços de mediação caso não haja avanços reais nos próximos dias. O Kremlin, por sua vez, mantém a exigência de que a Ucrânia abandone sua intenção de ingressar na OTAN e ceda territórios já reivindicados por Moscou — condições inaceitáveis para Kiev.
Mesmo com o cessar-fogo temporário, a guerra, iniciada em fevereiro de 2022, segue sendo marcada por escaladas imprevisíveis e impasses geopolíticos. A trégua de Páscoa, embora relevante, parece mais um gesto político do que um caminho real para a paz.
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