‘Parthenope: Os Amores de Nápoles’ — O filme mais sensual da A24 é também uma ode à beleza, liberdade e poder feminino
‘Parthenope: Os Amores de Nápoles’ — O filme mais sensual da A24 é também uma ode à beleza, liberdade e poder feminino
A A24, conhecida por sua ousadia estética e por dar voz ao cinema independente, surpreende mais uma vez. Longe do terror que costuma dominar seu catálogo, o estúdio norte-americano se aventura agora pelo drama italiano com ‘Parthenope: Os Amores de Nápoles’, um longa de beleza hipnótica, sensualidade refinada e profundidade filosófica. Dirigido pelo oscarizado Paolo Sorrentino, o filme estreia nos cinemas brasileiros com o peso de ter sido indicado à Palma de Ouro em Cannes — e entrega muito mais do que se espera.
Da água nasceu Parthenope
O longa se passa na ensolarada Nápoles dos anos 1950, onde uma bebê nasce dentro d’água em uma mansão aristocrática. Seu nome é Parthenope, inspirado na sereia mitológica que, segundo a lenda, encantava marinheiros com sua beleza e voz. Acompanhamos sua vida desde a infância até a maturidade, navegando entre paixões intensas, decepções sutis e uma busca constante por significado em um mundo em transformação.
A personagem-título, vivida de forma cativante pela jovem Celeste Dalla Porta, é ao mesmo tempo sedutora e intelectual, livre e contida. Parthenope não é só objeto de desejo — ela é agente de sua história. Estudiosa de sociologia e filosofia, ela questiona o lugar da mulher, o corpo, o tempo e as convenções sociais que se desfazem ao longo das décadas.
Cinema como arte visual e política
Com duas horas e vinte minutos de duração, o filme poderia facilmente parecer excessivo — mas não é. Cada minuto é cuidadosamente pensado para que o espectador sinta o passar dos anos, a mudança dos ventos sociais e o crescimento da protagonista. A fotografia é arrebatadora, quase uma pintura em movimento, com o brilho de Nápoles contrastando com a melancolia contida nos olhos de Parthenope.
E sim, há sensualidade — muita. Mas ela nunca é gratuita. É usada como linguagem, como símbolo de liberdade e poder. O filme é, talvez, o mais sensual já ligado à A24, e faz isso com delicadeza, maturidade e reverência ao feminino.
O elenco ainda traz Gary Oldman, irreconhecível e excelente como o escritor John Cheever, em uma participação que evoca o universo visual de A Grande Beleza.
Um final que desafia gêneros
Na reta final, o longa flerta brevemente com o horror, em um movimento inesperado que adiciona tensão simbólica à trajetória da personagem. Sorrentino não entrega respostas fáceis. Em vez disso, oferece imagens, sensações e perguntas — como o melhor do cinema deve fazer.
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