“Supercana” de Eike Batista: nova aposta bilionária tenta reerguer império com combustível e plástico sustentável
🌱 “Supercana” de Eike Batista: nova aposta bilionária tenta reerguer império com combustível e plástico sustentável
Após anos longe dos holofotes, Eike Batista ressurge com uma proposta ambiciosa: a “supercana”, uma nova variedade de cana-de-açúcar que promete produzir mais etanol e bagaço por hectare — e ser a matéria-prima de um novo ciclo verde na indústria energética e de embalagens.
Com um suposto aporte de US$ 500 milhões de um fundo árabe, Eike quer transformar a supercana em biocombustível para aviação (SAF) e em plásticos biodegradáveis. Ele anunciou o projeto em grande estilo nas redes sociais com um post direto: “I’m back”.
A supercana, segundo o empresário, pode gerar até três vezes mais etanol e até 12 vezes mais bagaço do que a variedade tradicional. O cultivo experimental já começou no interior de São Paulo, e o plano é expandir para 70 mil hectares até 2031, com três fábricas planejadas perto do Porto do Açu (RJ).
“Nosso objetivo não é queimar bagaço para energia, mas usar para algo mais nobre. Vamos produzir embalagens e combustível sustentável para aviação. A Emirates quer esse etanol”, afirmou Eike.
Desconfiança e um passado bilionário
A proposta soa grandiosa, mas a indústria reage com ceticismo. Especialistas lembram que projetos similares já foram abandonados, e que a própria “cana-energia” tem limitações técnicas: difícil de moer, transporte caro e poder calorífico inferior à lenha.
Além disso, o histórico de promessas não cumpridas do “Império X” de Eike — que já foi o homem mais rico do Brasil, com fortuna estimada em US$ 34,5 bilhões — pesa. Seu colapso envolveu estimativas infladas, processos judiciais e até prisão por crimes contra o mercado financeiro.
“Nos Estados Unidos deram tempo para Elon Musk. Aqui, me faltou isso”, diz Eike, comparando sua trajetória à do bilionário sul-africano.
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A genética por trás da “supercana”
O coração técnico do projeto está nas mãos de Sizuo Matsuoka, agrônomo referência no melhoramento genético da cana-de-açúcar. Ele iniciou pesquisas há décadas e desenvolveu 17 novas variedades por cruzamentos convencionais — sem engenharia genética.
Matsuoka já liderou iniciativas semelhantes na extinta CanaVialis e na Vignis, que entrou em recuperação judicial em 2017. Agora, volta à cena com a promessa de uma nova geração de cana de alta biomassa — rebatizada por Eike de supercana.
Apesar do entusiasmo, centros como o CTC e a Embrapa não trabalham atualmente com cana voltada à biomassa. Para eles, o foco é produtividade, resistência a pragas e controle da broca. O setor, por ora, mantém distância.
Eike aposta alto — e responde às críticas
O empresário afirma que as críticas ignoram as mudanças no projeto: uso de máquinas adaptadas, foco em produtos de alto valor agregado e um modelo econômico viável desde o início.
“Se eu produzo três vezes mais por hectare, a conta se paga rápido. Estamos começando do zero, com estrutura pensada para isso. E não estamos aqui para divulgar mentira”, rebate.
Com o plantio inicial previsto para este ano e previsão de início da produção de embalagens em 2026, Eike mira 2028 como o ponto de virada, quando o SAF começaria a ser entregue. A depender da execução, a supercana poderá ser o capítulo mais ousado — e controverso — da segunda chance do ex-bilionário.
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