“Obrigado” ao ChatGPT? Educação com IA tem custo alto — e talvez valha a pena
“Obrigado” ao ChatGPT? Educação com IA tem custo alto — e talvez valha a pena
CEO da OpenAI revela: expressões de cortesia com a inteligência artificial custam milhões. Mas o impacto social de não usá-las pode sair ainda mais caro.
Um “por favor” aqui, um “obrigado” ali — gestos simples de civilidade que, ao serem digitados para uma inteligência artificial como o ChatGPT, parecem inofensivos. Mas Sam Altman, CEO da OpenAI, colocou a polidez em xeque: ser educado com um chatbot custa caro — e não só em sentido figurado.
Respondendo a uma provocação no X (antigo Twitter), Altman revelou que apenas essas palavras de cortesia geram “dezenas de milhões de dólares” em custos de energia e processamento. E concluiu com ironia: “Bem gastos — você nunca sabe”.
O preço real da boa educação
A explicação é mais técnica do que emocional. Cada palavra digitada em um prompt exige energia computacional para ser processada. Adicionar camadas desnecessárias — como se estivesse embalando um presente com papel demais — aumenta o esforço da máquina e, consequentemente, o custo.
Neil Johnson, físico da Universidade George Washington, ilustra bem: “É como tirar o papel de seda de um frasco de perfume. Um trabalho extra para o servidor”. E quem paga essa conta? Hoje, empresas como OpenAI. Amanhã, talvez o próprio usuário.
A IA, afinal, consome energia — e boa parte dela ainda vem de combustíveis fósseis.
Mas e o custo de não ser educado?
Apesar do argumento ambiental e financeiro, muitos especialistas alertam que a forma como tratamos a IA molda como tratamos uns aos outros. Ser grosseiro com um chatbot pode parecer inofensivo, mas, como defende a pesquisadora Jaime Banks, “criamos hábitos a partir de interações. E isso nos afeta socialmente”.
Esse comportamento não é novo. Nos anos 1990, crianças cuidavam dos Tamagotchis como se fossem seres vivos — e sofriam quando eles “morriam”. Hoje, alguns falam com Alexa ou Siri como falariam com um amigo. Para a psicóloga e estudiosa da tecnologia Sherry Turkle, os bots são “vivos o suficiente” para merecer cortesia — mesmo que não tenham consciência.
Estamos ensinando máquinas ou nos reensinando?
O roteirista Scott Z. Burns, que lançou a série What Could Go Wrong? sobre IA, defende um padrão de gentileza universal, seja com humanos ou máquinas. E a OpenAI já começa a considerar isso: contratou um pesquisador de bem-estar para estudar se suas criações merecem algum tipo de consideração moral.
A educação com a IA pode custar milhões, mas a falta dela pode custar ainda mais — em empatia, hábitos e humanidade.
Por isso, se você chegou até aqui, não custa repetir: obrigado.
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Boa matéria 👍