Tragédia e revolta: morte de brasileiro em máquina trituradora paralisa fábrica na Argentina
Tragédia e revolta: morte de brasileiro em máquina trituradora paralisa fábrica na Argentina
Um acidente brutal ocorrido na última terça-feira (29) gerou comoção e revolta entre operários argentinos e brasileiros. O técnico Regis Barcelos Fernandes, de 55 anos, morreu ao ser tragado por uma máquina trituradora de pedras na fábrica da Cerámica Alberdi, em Salta, no norte da Argentina. Regis realizava manutenção no equipamento quando, por razões ainda não esclarecidas, a máquina foi ativada com ele em seu interior. A tragédia mobilizou sindicatos e paralisou a produção.
O brasileiro, naturalizado em sua função após sete anos de prestação de serviços à empresa como terceirizado, perdeu a vida em um cenário que evidencia graves falhas nos protocolos de segurança. O acidente aconteceu por volta das 18h, na troca de turno, e chocou os colegas que tentaram socorrê-lo sem sucesso. Testemunhas relataram que Regis levantou a mão antes da ativação repentina da máquina — um gesto que ficou marcado como seu último pedido de ajuda.
Silêncio corporativo e resposta tardia
A fábrica, pertencente ao recém-nomeado presidente da União Industrial Argentina, Martín Rappallini, foi duramente criticada por tentar manter a produção ativa mesmo com o corpo de Regis ainda preso na máquina. A demora da empresa em prestar esclarecimentos — a nota oficial saiu somente 24 horas depois — e a recusa em interromper as atividades indignaram os trabalhadores.
A revolta levou o Sindicato de Operários da Indústria Ceramista (SOIC) a iniciar uma greve geral, com apoio da Federação Operária Ceramista da República Argentina (FOCRA). As denúncias são graves: segundo os representantes sindicais, há tentativa da empresa de ocultar o local do acidente, além da remoção de sensores de segurança para acelerar a produção.
Indignação crescente e histórico preocupante
A comoção vai além da tragédia. Em outras unidades da Cerámica Alberdi, como a de José C. Paz, na Grande Buenos Aires, há registros de acidentes recentes e igualmente graves: uma funcionária teve o braço gravemente lesionado, e outro trabalhador sofreu amputação da mão.
A crítica dos operários é contundente: “Trabalhamos para sobreviver e terminamos morrendo no trabalho”. Além disso, há relatos de ameaças de descontos salariais para quem se recusasse a retornar ao trabalho imediatamente após o ocorrido, configurando um cenário de desrespeito à dignidade e à vida dos trabalhadores.
Para os colegas, o 1º de Maio deste ano foi marcado não por celebrações, mas por luto. “Eles queriam parar apenas o setor de moagem, como se isso fosse suficiente. É revoltante”, desabafou Sebastián Pineda, secretário sindical.
A investigação está a cargo do promotor Leandro Flores, da Unidade de Graves Atentados contra as Pessoas (UGAP), e busca apurar responsabilidades penais. Enquanto isso, a fábrica permanece paralisada, com operários exigindo justiça, segurança e respeito.
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