Renata Sorrah estreia espetáculo “Ao Vivo” e reafirma seu compromisso com o novo: “Tenho orgulho das minhas escolhas”
Renata Sorrah estreia espetáculo “Ao Vivo” e reafirma seu compromisso com o novo: “Tenho orgulho das minhas escolhas”
Atriz celebra liberdade criativa e revisita momentos marcantes da carreira em montagem provocadora dirigida por Marcio Abreu.
Aos 78 anos, Renata Sorrah sobe ao palco do Teatro Municipal Carlos Gomes, no Rio, para a estreia do espetáculo Ao vivo [dentro da cabeça de alguém], da Companhia Brasileira de Teatro. A montagem, com texto e direção de Marcio Abreu, propõe uma colagem sensível de pensamentos, memórias, sonhos e inquietações contemporâneas — tudo atravessado pela presença magnética de uma das maiores atrizes do país.
Inspirada em uma epifania vivida por Renata em 1974, durante os ensaios de A Gaivota, de Tchekhov, a peça mescla experiências pessoais da atriz com temas como etarismo, transfobia, violência e a pressão do cotidiano. O espetáculo é, ao mesmo tempo, um mergulho íntimo e um espelho social — e a cabeça em questão é a de alguém que nunca parou de buscar novas formas de expressão.
“Essa sensibilidade aguçada me fez conhecer mundos que eu não conhecia”, diz Renata, relembrando o impacto de Tchekhov em sua trajetória.
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Uma obra viva — e inquieta
O cenário minimalista, com cadeiras e telões, contrasta com o turbilhão de ideias que transborda do palco. A linguagem não linear convida o público a refletir, a imaginar, a completar os vazios com sua própria vivência. “Eu queria que essa peça fosse só com o essencial”, explica Marcio Abreu. “Se eu te dou tudo, mato tua imaginação.”
Já encenado em São Paulo, Belo Horizonte e no Festival de Curitiba, Ao Vivo é a continuação da pesquisa do diretor sobre o tempo, a arte e o futuro — e encontra em Sorrah a intérprete ideal para esse tipo de teatro, que exige entrega, escuta e coragem criativa.
De Heleninha a Nazaré: um legado plural
Embora esteja eternizada na memória popular por papéis icônicos como Heleninha Roitman (Vale Tudo, 1988) e Nazaré Tedesco (Senhora do Destino, 2004), Renata faz questão de celebrar as novas vozes. Ao comentar a escolha de Paolla Oliveira para interpretar Heleninha na nova versão da novela, ela é direta:
“Eu fiquei muito feliz com a escolha dela. Tenho admiração por ela como mulher e artista. Mas o que eu gostaria é que não ficassem comparando. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.”
Renata também reafirma seu compromisso com a autenticidade:
“Tenho muito orgulho das minhas escolhas. Sempre fiz o que eu acreditava, nunca trabalhei por outro motivo que não fosse a paixão.”
Espetáculo convida à reflexão — e à presença
Ao Vivo é teatro em estado bruto. Um convite à escuta, à imaginação e à empatia. Uma obra que transpira contemporaneidade, sem abrir mão da delicadeza. Renata Sorrah, mais uma vez, entrega não só uma atuação — mas uma declaração de princípios.
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